O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) inicie uma investigação sobre vazamentos de informações sigilosas que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT). A decisão foi anunciada na última sexta-feira, 21, e surgiu em resposta a reportagens publicadas pela revista Veja, que, , apresentaram dados que coincidem com uma investigação já existente desde o início do ano.
Na sua determinação, o ministro enfatizou que a apuração deve se concentrar na identificação da origem das informações que foram divulgadas, sem direcionar o foco para os jornalistas ou veículos de comunicação responsáveis pela publicação. O objetivo é esclarecer como dados sigilosos chegaram ao conhecimento público.
Mendonça destacou que existe uma correspondência clara entre o conteúdo das reportagens e o objeto da investigação em andamento na PF. Diante disso, ele ordenou que a apuração seja ampliada para verificar a forma como as informações sob sigilo foram obtidas e disseminadas. O ministro sublinhou a necessidade de investigar a origem das informações que foram veiculadas indevidamente.
Um dos inquéritos em andamento investiga a atuação de Lulinha em negociações com o Ministério da Saúde que poderiam beneficiar o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A PF está apurando possíveis crimes de tráfico de influência e corrupção, com foco em negócios relacionados à venda de produtos de cannabis medicinal ao governo federal.
A investigação busca esclarecer se Lulinha teve acesso a sistemas de dados da Previdência Social, com o intuito de influenciar decisões dentro da estatal para atender interesses privados. Outro inquérito que envolve Lulinha foi direcionado ao ministro Flávio Dino, também do STF, e diz respeito a repasses relacionados a um ex-assessor da Presidência da República. Este caso também está sob sigilo.
As tramitações dos inquéritos estão sendo discutidas no STF, com a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendendo que pelo menos dois dos casos sejam transferidos para a Justiça Federal de primeira instância, alegando que não há investigados com foro privilegiado que justifique a manutenção dos procedimentos no Supremo. Mendonça, relator de dois dos inquéritos, está avaliando a possibilidade de manter essas apurações no STF, considerando mensagens encontradas no celular de Roberta Luchsinger que mencionam autoridades com foro privilegiado. A relação dessas mensagens com as investigações ainda precisa ser investigada pela PF.



