A Braskem formalizou na madrugada desta segunda-feira (24) seu pedido de recuperação extrajudicial, o que envolve uma dívida total superior a US$ 10 bilhões. Essa informação foi confirmada recentemente. O prazo de 60 dias de proteção contra credores, que a empresa havia obtido anteriormente, chega ao fim nesta data. Com a nova solicitação, a Braskem garante mais 90 dias para negociar um plano de reestruturação com seus credores, necessitando da adesão de 50% mais um do total de credores para avançar.
Para que o pedido de recuperação extrajudicial seja aceito, é essencial que 33% dos credores concordem com a proposta. Até a última sexta-feira (21), a Braskem ainda estava empenhada em alcançar um consenso com essa parcela de credores, que inclui bancos e alguns detentores de títulos de dívida emitidos pela empresa no exterior (bondholders). Entre os mais de US$ 10 bilhões de dívida, cerca de US$ 7 bilhões estão na posse dos bondholders, que apresentaram resistência significativa à proposta inicial da companhia, que contemplava apenas o alongamento de prazos e a concessão de carência nos pagamentos.
Na semana passada, a Braskem também avançou com a situação de sua subsidiária no México, a Braskem Idesa. O pedido de recuperação judicial da subsidiária nos Estados Unidos incluiu um aporte da Braskem no valor de US$ 476 milhões, dos quais aproximadamente US$ 126 milhões já foram desembolsados antes do pedido de Chapter 11. Outros US$ 230 milhões estão programados para serem liberados em um curto espaço de tempo, enquanto o restante será destinado à subsidiária mexicana em um prazo de seis meses.
O movimento da Braskem ocorre em um contexto em que outra grande empresa brasileira, a Casas Bahia, busca proteção para reestruturar suas dívidas. A varejista protocolou um pedido de recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em débitos, enfrentando dificuldades financeiras e um processo de reestruturação operacional. Enquanto a Casas Bahia optou pela recuperação judicial, a Braskem escolheu a recuperação extrajudicial para lidar com aproximadamente R$ 54 bilhões em dívidas, buscando um acordo com seus credores.
Recentemente, a Justiça determinou que a Casas Bahia deveria manter os empregos de trabalhadores afetados pela reestruturação do grupo, que resultou em demissões em massa. A decisão foi uma resposta a um pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), enquanto a varejista tenta renegociar suas obrigações financeiras. A operação de reestruturação da Casas Bahia levou ao fechamento de 298 lojas e à demissão de 1.900 funcionários, sem a intervenção sindical prévia. A empresa afirmou que está ciente da decisão judicial e avaliando os próximos passos, reiterando seu compromisso em respeitar as ordens da Justiça.
O espaço para manifestações da Braskem permanece aberto, e a Jovem Pan está buscando contato com a empresa.



