O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) efetivou 49.571 prisões em julho, marcando o maior volume de detenções em um único mês durante o segundo mandato do presidente Donald Trump. Esse número representa um aumento de 15% em comparação a junho, quando foram registradas 43.021 prisões, e um crescimento significativo de 70% em relação a fevereiro, que teve 29.241 detenções. O aumento das prisões reflete a continuidade da agenda de deportações em massa do governo, apesar de uma mudança na estratégia ao longo do ano.
As operações de fiscalização, que antes eram bastante visíveis em grandes centros urbanos, agora têm se concentrado em ações que passaram despercebidas pela opinião pública, mas que continuam a gerar impactos significativos. O ICE, em um movimento para intensificar suas ações, também tem contado com a colaboração de forças de segurança estaduais e locais, que estão assumindo funções de fiscalização migratória.
Os dados sobre as prisões foram fornecidos pelo ICE ao Deportation Data Project, vinculado à Universidade da Califórnia em Berkeley e à Universidade da Califórnia em Los Angeles. Essas informações foram obtidas por meio de uma ação judicial fundamentada na Lei de Liberdade de Informação. O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) tem reduzido a divulgação de dados sobre fiscalização migratória, tornando as informações do projeto uma das poucas fontes disponíveis sobre a atuação do ICE.
O aumento nas detenções também se deve a uma recente onda de contratações dentro da agência. Além disso, o ICE tem realizado prisões durante abordagens de trânsito, o que tem gerado uma nova dinâmica nas operações. Um dos grupos mais afetados por essas detenções são os haitianos que perderam suas proteções contra deportação.
Mark Krikorian, do Center for Immigration Studies, que defende políticas de imigração mais restritivas, comentou sobre os dados, destacando que muitos dos detidos não tinham antecedentes criminais. Menos de 25% das pessoas detidas tinham sido condenadas por algum crime. Ademais, metade das prisões aconteceu fora do sistema prisional, indicando que muitos cidadãos foram detidos enquanto estavam em liberdade, não enquanto cumpriam pena ou sob custódia policial.
Patrícia Quiñonez, jornalista que cobre a comunidade de imigrantes venezuelanos em Utah, observou um aumento acentuado nas detenções durante abordagens de trânsito. Ela relatou que motoristas podem ser parados por infrações simples, como falta de carteira de motorista ou registro vencido, e, a partir daí, os agentes questionam sobre a situação migratória.



