As operações de resgate na região do Himalaia estão sendo realizadas sob condições extremas, com socorristas enfrentando lama que chega até a altura da panturrilha. Neste domingo (30), a pressão para encontrar sobreviventes aumentou quatro dias após as enchentes que resultaram em quase 800 mortos. A situação é crítica, com mais de 3.000 pessoas ainda desaparecidas, sendo 592 estrangeiros, e a esperança de localizar sobreviventes diminui a cada hora que passa.
O número de vítimas fatais foi atualizado para 781, enquanto 2.502 pessoas continuam desaparecidas, conforme informado pela autoridade de gestão de emergências do Nepal. O desastre foi desencadeado pelo colapso de uma geleira no Himalaia, que provocou um deslizamento de terra de grandes proporções na quarta-feira. Na China, a mídia estatal reportou 16 mortes e 546 desaparecidos, elevando o total de vítimas para 797, com 3.048 desaparecidos.
Na localidade de Bharatpur, situada a cerca de 160 quilômetros abaixo do epicentro do desastre, familiares de desaparecidos estão examinando fotos de corpos na tentativa de identificar seus entes queridos. Os necrotérios estão sobrecarregados, e as equipes de resgate enfrentam riscos adicionais devido a estradas bloqueadas, interrupção de comunicações e a ameaça de novas inundações. O desespero e a angústia são palpáveis entre os parentes dos desaparecidos, que alternam entre a esperança e o desespero.
Vinod Kumar Basnet compartilhou sua angústia ao relatar que a esposa de seu irmão está desaparecida. “Meu irmão morreu de covid durante a pandemia e seus filhos estão em casa esperando pela mãe. Se eu vir o corpo dela, pelo menos poderei dizer a eles que ela não vai voltar”, lamentou. Essa situação levou as autoridades a armazenar os corpos em escritórios climatizados pertencentes à associação de comerciantes do distrito.
Rudra Adhikary, membro do comitê da Cruz Vermelha do distrito, revelou a gravidade da situação: “Muitos dos corpos estavam em avançado estado de decomposição e havia um odor insuportável por toda a área”. Ele destacou que essa é a primeira vez que testemunha um desastre dessa magnitude.
A lista de desaparecidos inclui centenas de turistas e peregrinos que se dirigiam ao sagrado monte Kailash, no Tibete, além de trabalhadores estrangeiros e moradores das aldeias devastadas. Gokarna Kunwar, que veio da Arábia Saudita, está à procura da esposa do chefe e relatou que já visitou todos os hospitais de Katmandu, sem sucesso. “Meu chefe continua me ligando, mas não tenho notícias”, afirmou.



