A corrida presidencial de 2026 trouxe à tona dois grandes clássicos do funk dos anos 1990, que agora embalam as campanhas eleitorais. O Rap da Felicidade, imortalizado por Cidinho & Doca, foi escolhido como a base para o jingle de Augusto Cury, do Avante. Por sua vez, o Rap do Silva, de MC Bob Rum, foi incorporado na campanha de reeleição do presidente Lula, do PT. Essas escolhas destacam a importância do funk, um gênero musical historicamente associado às periferias, na comunicação política dos candidatos.
MC Doca, que interpretou o Rap da Felicidade em 1995 e é filiado ao Avante, manifestou sua satisfação em estar ao lado de Augusto Cury. Em suas palavras, a música representa um clamor por esperança e mudança. "Lá atrás, quando cantei o Rap da Felicidade, a gente estava gritando por algo que a gente queria de verdade. Uma nova esperança. Agora, tenho a oportunidade de estar do lado de um candidato que pode mudar o Brasil", disse o artista, ressaltando a divisão da sociedade nos últimos anos.
Por outro lado, MC Bob Rum, que lançou o Rap do Silva em 1996, também expressou sua alegria ao ver sua obra sendo usada na campanha de Lula. Ele descreveu a experiência como uma honra e um reconhecimento da relevância de sua canção, afirmando que sua música pode servir como um reflexo da trajetória do país e das aspirações do povo brasileiro.
O uso de músicas conhecidas em campanhas eleitorais não é algo inédito, mas a escolha de clássicos do funk dos anos 1990 neste contexto é notável. Essa estratégia visa recuperar canções que já possuem uma forte conexão com públicos e regiões específicas. De acordo com o analista Pedro Müller, consultor da Seta Public Affairs, o funk possui características que podem ser efetivamente exploradas nas campanhas, especialmente em relação à comunicação com jovens eleitores.
Müller também comenta sobre a estratégia de Flávio Bolsonaro, que no início da campanha lançou um jingle autoral no estilo funk, visando se conectar com o público jovem por meio de uma linguagem e coreografia apropriadas. Essa combinação de gêneros musicais ilustra como a música pode ser uma ferramenta poderosa para atingir diferentes segmentos do eleitorado.
A escolha entre funk e sertanejo, , tem uma dimensão regional importante. Embora o sertanejo seja o gênero mais popular em todo o Brasil, o funk estabelece uma conexão mais forte com as grandes cidades do Sudeste, onde reside uma parte significativa da população e da produção cultural do país. Müller conclui que, assim como em 2022, o Sudeste provavelmente terá um papel decisivo nas eleições de 2026.



