O Corinthians, reconhecido como uma potência no futebol feminino, enfrenta uma crise institucional e financeira que afeta diretamente sua equipe. Após um período de hegemonia, com sete títulos brasileiros e seis Libertadores conquistadas, a situação atual do clube gera incertezas sobre a manutenção dessa trajetória. A equipe feminina, que foi reativada em 2016, se vê agora pressionada por questões financeiras que podem comprometer seu desempenho.
Recentemente, jogadoras se reuniram no Parque São Jorge para discutir a situação com o presidente Osmar Stabile. As atletas exigiram não apenas os pagamentos atrasados, mas também uma maior presença do dirigente nas atividades do time. "Elas me cobraram, que preciso ir lá mais vezes. Mas eu vou, eu acompanho, todos os dias eu falo com a executiva do futebol feminino", declarou Stabile em uma entrevista à ESPN.
Durante a reunião, as jogadoras conseguiram um acordo para o pagamento de dois meses de direitos de imagem que estavam pendentes. A diretoria já efetuou o pagamento referente a um dos meses, no dia 28, e se comprometeu a regularizar o restante ainda nesta semana. A meia-atacante Vic Albuquerque abordou a pressão que a situação financeira gera nas atletas, ressaltando a dificuldade de manter o foco em campo quando há preocupações pessoais.
Os desafios financeiros não se limitam aos pagamentos atrasados. O clube ainda possui dívidas referentes às premiações pela conquista da Libertadores de 2025 e pela participação na final da Copa das Campeãs e da Supercopa Feminina de 2026, torneios em que o Corinthians ficou com o vice-campeonato. A pressão por resultados se intensifica, à medida que a equipe busca se manter entre as melhores do país.
Apesar das dificuldades, o sucesso esportivo do Corinthians feminino também resultou na atração de novos patrocínios, como as marcas MOÃ e Vizzela. Contudo, a relação com patrocinadores gerou polêmica, especialmente após uma multa de R$ 10 mil imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, devido a uma ação de marketing envolvendo a zagueira Thaís Regina durante um jogo contra o Santos.
Outro ponto de controvérsia é o patrocínio da Fatal Fans, uma empresa de conteúdo adulto que firmou um acordo com o clube. A presença desse patrocínio no uniforme das equipes gerou um inquérito do Ministério Público de São Paulo, que investiga se a exposição viola direitos de crianças e adolescentes, dado que a marca é exibida em transmissões de TV aberta e em eventos esportivos sem restrições.



