Mensagens coletadas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicam que Kevin Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques, foi alvo de diálogos concernentes a pagamentos que totalizariam R$ 500 mil mensais. Essas informações foram enviadas recentemente a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os diálogos entre Vorcaro e Luiz Rennó, ex-diretor jurídico do Banco Master, ocorreram em 2024 e 2025, e revelam a menção a repasses financeiros. Em outubro de 2024, ambos trocaram mensagens sobre uma decisão do STF a respeito de precatórios do setor sucroalcooleiro, que era de grande interesse do Banco Master. O caso em questão envolvia uma demanda da destilaria Alcídia, pertencente ao grupo Atvos, que buscava reparação da União por prejuízos ocorridos na década de 1980.
A deliberação sobre o caso ocorreu no mesmo mês, resultando em uma vitória da tese favorável à destilaria com um placar de 3 a 2. Os ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques votaram a favor, enquanto Gilmar Mendes e André Mendonça foram contrários. Inicialmente, Nunes Marques se declarou impedido de participar da votação, mas posteriormente alterou sua posição e decidiu votar a favor da usina.
Após a decisão, Rennó enviou uma mensagem a Vorcaro informando que haviam “vencido Alcídia” e compartilhou o contato de Kevin Marques, complementando a comunicação com “Dominado aqui”. Em julho de 2025, Rennó fez nova menção a Kevin, ressaltando o pagamento de R$ 500 mil por mês e questionando se o repasse continuaria, ao que Vorcaro respondeu com risadas.
Em agosto do mesmo ano, Rennó voltou a tocar no assunto dos pagamentos, mencionando que estava faltando uma consulta essencial e, em seguida, enviou novamente o contato de Kevin Marques, referindo-se a ele como o único que ainda faltava na lista de pagamentos.
Essas mensagens, agora sob investigação da Polícia Federal (PF), trazem à tona questões sobre possíveis relações entre interesses financeiros e decisões judiciais, levantando preocupações sobre a integridade do sistema judicial.



