A administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a negar vistos a uma delegação palestina de alto nível, que pretendia participar da reunião anual de líderes mundiais na Assembleia Geral da ONU. Essa recusa ocorre pelo segundo ano consecutivo e foi confirmada pelo Departamento de Estado americano nesta quarta-feira, 17.
Em sua comunicação, o governo dos EUA destacou que a Autoridade Palestina, incluindo seu presidente, Mahmoud Abbas, não atendeu aos compromissos estabelecidos em acordos anteriores voltados para a paz com Israel. A nota menciona que a Autoridade Palestina continuou a acionar a Corte Internacional de Justiça (CIJ) e o Tribunal Penal Internacional (TPI) em ações legais contra Israel, além de manter pagamentos a famílias de palestinos condenados por ataques a israelenses.
O Departamento de Estado enfatizou que, em razão da falta de reformas e das atividades que comprometem as perspectivas de paz, as sanções que negam vistos a membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e a autoridades da Autoridade Palestina serão mantidas. A medida reflete a política de restrições de visto do Governo Trump e demonstra um alinhamento mais próximo com Israel, que enfrenta isolamento internacional em decorrência da guerra em Gaza, iniciada após os ataques atribuídos ao Hamas em 7 de outubro de 2023.
Embora um cessar-fogo frágil tenha sido mediado pelos EUA e tenha entrado em vigor em outubro, Israel continuou a realizar ataques no território palestino. Além disso, essa negativa dos vistos ocorre em um momento em que os EUA buscam enfraquecer o TPI, acusando a corte de tentar processar injustamente militares americanos e israelenses por supostos crimes em conflitos no Afeganistão, no Iraque e em Gaza, sendo que tanto os EUA quanto Israel não são membros do tribunal.
Apesar da recusa em fornecer vistos, os palestinos estarão representados na Assembleia Geral por diplomatas que já possuem credenciamento na ONU. No ano anterior, Abbas participou do evento por meio de um vídeo.
Paralelamente, Israel anunciou a abertura de licitação para a construção de 2.167 novas unidades em um projeto de assentamento na Cisjordânia, conhecido como E1, elevando o total para 3.401 moradias. Críticos do projeto afirmam que ele dividirá a Cisjordânia e inviabilizará a criação de um futuro Estado palestino. Um porta-voz de Abbas denunciou a expansão como uma violação do direito internacional, enquanto o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não se manifestou sobre a questão. O projeto, que esteve congelado por anos, enfrentou pressão dos EUA contra assentamentos considerados ilegais.



