A capacidade de admirar pessoas com opiniões diferentes é um aspecto fundamental para o fortalecimento das relações interpessoais. O artista e escritor português José Sobral de Almada Negreiros (1893-1970) refletiu sobre essa dinâmica, ressaltando que a verdadeira divergência se estabelece quando há valores comuns entre os indivíduos.
Almada Negreiros, nascido em Portugal, atuou como poeta, romancista, dramaturgo e coreógrafo. Seus textos abordam a dinâmica social, a coletividade e o comportamento humano, revelando suas reflexões sobre a convivência entre diferentes perspectivas.
Em um de seus escritos, ele mencionou: "As pessoas que mais admiro são aquelas que melhor divergem da minha pessoa. Claro está, só se diverge de outrem dentro do que nos é comum. Porque há quem nada tenha de comum conosco, nem sequer a própria existência e a mesma humanidade", um trecho que ilustra sua visão sobre a empatia divergente.
A empatia divergente é definida como a capacidade de compreender e respeitar visões de mundo opostas, utilizando os pontos em comum como base para o diálogo e o fortalecimento das relações. O pensamento de Almada Negreiros sugere que a discordância não elimina a afinidade entre as pessoas, mas sim a enriquece.
De acordo com sua reflexão, uma divergência saudável requer uma conexão prévia, pois quando não há princípios compartilhados, o conflito se torna vazio e a comunicação se torna ineficaz. O respeito mútuo surge da habilidade de reconhecer a humanidade do outro, e as relações se organizam a partir da composição individual e sua projeção no coletivo.
"À porta da nossa intimidade havemos de pôr a admiração por aquele que vai entrar, tanto em quanto diverge como em quanto coincide connosco", afirmou Almada Negreiros, reforçando a importância de acolher o outro, mesmo nas diferenças.



