Nas últimas décadas, o papel do Supremo Tribunal Federal (STF) mudou substancialmente, alcançando um nível de notoriedade que antes não existia. Anteriormente, a maioria da população desconhecia os nomes dos 11 ministros, e suas aparições em entrevistas eram escassas. Os juízes, mesmo aqueles com passagens pelo Legislativo, mantinham uma postura distante em relação à política. Paulo Brossard, por exemplo, teve uma carreira política como deputado estadual e federal e senador, antes de assumir uma cadeira no STF em 1989. Em uma declaração de junho de 1992, Brossard enfatizou a separação entre os Três Poderes, afirmando que sua trajetória política se estendeu até o momento em que se tornou ministro.
Entretanto, essa realidade se alterou. Hoje, a Suprema Corte é frequentemente mencionada nas capas de jornais e seus ministros aparecem em telejornais, com alguns deles envolvidos em controvérsias, como o caso do Banco Master. O advogado Sidney Stahl, em seu livro, discute as mudanças enfrentadas pela mais alta Corte do país, destacando como as indicações para o STF, que antes eram exclusivamente técnicas, passaram a ser influenciadas por questões políticas.
Para Stahl, a nomeação de Gilmar Mendes, em 2002, representa um ponto de inflexão na trajetória do Supremo. Como decano da Corte, Mendes tem se tornado uma figura proeminente na mídia, com frequentes aparições na televisão e uma postura ativa em debates políticos. Ele também organiza um evento em Portugal, denominado “Gilmarpalooza”, onde reúne uma variedade de autoridades, empresários, acadêmicos, lobistas e advogados.
Stahl também comentou sobre seu livro intitulado 'Supremo em Transformação: do recato institucional ao protagonismo político', lançado pela editora Almedina. O autor analisa como a imagem do STF evoluiu de uma postura reservada para um papel mais ativo e visível na política brasileira.
Essas transformações refletem não apenas mudanças internas na Corte, mas também a crescente intersecção entre o Judiciário e o cenário político do Brasil, evidenciando a nova fase da atuação do Supremo Tribunal Federal.



