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Adulteração de combustíveis movimentou R$ 82,8 milhões em Curitiba e região

Uma organização criminosa movimentou ao menos R$ 82,8 milhões em dinheiro vivo no Paraná ao longo de aproximadamente dois anos, utilizando carros-fortes para transportar valores...

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Uma organização criminosa movimentou ao menos R$ 82,8 milhões em dinheiro vivo no Paraná ao longo de aproximadamente dois anos, utilizando carros-fortes para transportar valores oriundos de adulteração de combustíveis e do tráfico internacional de drogas, segundo investigações da Polícia Federal. O objetivo do método era ocultar a origem dos recursos e inseri-los no sistema financeiro formal por meio de uma estrutura empresarial criada para lavagem de dinheiro.

As apurações indicam que o grupo atuava principalmente em postos de combustíveis de Curitiba e da Região Metropolitana, onde praticava fraudes na volumetria das bombas e na composição da gasolina. Em fiscalizações realizadas entre maio e junho de 2025, agentes coletaram amostras de forma disfarçada em 50 estabelecimentos. Laudos periciais apontaram irregularidades em 46 casos, sendo que 28 locais eram administrados diretamente pela organização investigada.

Os exames técnicos demonstraram que, na maioria das situações, o volume entregue ao consumidor era inferior ao registrado na bomba, com diferenças de até 8,1%, acima do limite de tolerância de 0,5% estabelecido pelo Inmetro. Também foram identificados problemas de qualidade, como excesso de etanol misturado à gasolina, chegando a índices entre 35% e 79%, quando o máximo permitido à época era de 27%, com pequena margem de variação. A adulteração dos sistemas, conforme a PF, podia ser feita inclusive por aplicativo instalado em celulares.

De acordo com o Ministério Público Federal, o dinheiro obtido com as fraudes era inserido inicialmente nos próprios postos, recolhido em espécie por carros-fortes e depositado em contas de uma empresa de tecnologia e de uma instituição de pagamentos controladas pelo grupo. Em seguida, os valores circulavam entre diferentes empresas, com operações simuladas, até serem transferidos para pessoas físicas ligadas à organização. A Justiça Federal aceitou denúncia contra 18 investigados, incluindo dirigentes dessas empresas financeiras.

As investigações também revelaram conexões com o crime organizado fora do estado. O esquema começou a ser desvendado em 2023, após a identificação de um casal, ligado a condenação por tráfico internacional, que acumulava patrimônio superior a R$ 34 milhões sem comprovação lícita, em imóveis, veículos e embarcações. A partir disso, a PF identificou a criação de uma distribuidora de petróleo que declarou faturamento superior a R$ 7 bilhões entre 2020 e 2023, embora, segundo os investigadores, tenha sido estruturada com recursos ilegais e mantido vínculos com grupos envolvidos em fraudes semelhantes em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O relatório final aponta que, entre 2019 e 2025, mais de R$ 20 bilhões circularam por empresas sem respaldo fiscal compatível. Foram identificados R$ 594 milhões em depósitos em espécie sem origem comprovada, além de transferências que envolveram postos, lojas de conveniência, operadoras financeiras e empresas de fachada. Parte das movimentações era mascarada como adiantamento de clientes. A PF estima que mais de 120 empresas tenham participado de repasses suspeitos que somam cerca de R$ 1,4 bilhão.

Segundo os investigadores, a organização utilizava pessoas de baixa renda como responsáveis formais pelos negócios, mediante pagamento mensal, enquanto as decisões eram centralizadas por um grupo interno que controlava lucros, adulterações e repasses financeiros, inclusive por meio de aplicativos de mensagens e planilhas contábeis. As irregularidades identificadas nos postos também serão analisadas em processos administrativos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

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