O novo sistema de controle de fronteiras externas, que visa substituir o carimbo no passaporte de cidadãos estrangeiros pelo registro eletrônico, está gerando grandes transtornos nos aeroportos da União Europeia (UE). O alerta foi feito na última terça-feira, 23 de junho, pelo presidente da associação de aeroportos do bloco, Stefan Schulte, que também ocupa o cargo de CEO do aeroporto de Frankfurt, na Alemanha.
Desde outubro do ano passado, os novos procedimentos fazem parte do Sistema de Entrada/Saída (EES), que inclui a coleta de informações biométricas dos viajantes. De acordo com Schulte, os passageiros têm enfrentado filas que se estendem por horas durante os horários de pico, e a situação pode se agravar nas próximas semanas devido ao aumento esperado no tráfego aéreo.
Schulte pediu que as autoridades europeias reconheçam a gravidade da situação e deixem de afirmar que o novo sistema está funcionando de maneira eficaz. Ele solicitou com urgência que haja flexibilidade para que as autoridades de controle de fronteiras possam suspender temporariamente o EES, evitando assim mais confusões e atrasos nos aeroportos.
O EES tem como objetivo principal identificar pessoas que permanecem nos países após o prazo de permanência, além de combater fraudes e prevenir a imigração irregular. Entretanto, há uma pressão política em alguns países do bloco por controles mais rigorosos, o que pode estar contribuindo para o aumento das complicações.
Os cidadãos de países que não pertencem à UE devem registrar seus dados pessoais ao entrar pela primeira vez no espaço Schengen, que abrange todos os países membros da UE, exceto Irlanda e Chipre, mas inclui Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein. Para viagens subsequentes, apenas a verificação biométrica facial é exigida.
Relatos de passageiros indicam que o novo sistema tem causado atrasos significativos, levando muitos a perderem seus voos. Em maio, uma jornalista da CNN tornou-se viral ao compartilhar imagens de centenas de pessoas aguardando pelo controle de passaporte no aeroporto de Lisboa, em Portugal. Além disso, experiências negativas foram relatadas em Atenas e Milão, onde passageiros não conseguiram embarcar a tempo para seus voos com destino ao Reino Unido.



