Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), declarou em entrevista à CNN Brasil que não acredita na possibilidade de ser extraditado para o Brasil. A afirmação foi feita no domingo, 5, enquanto assistia à partida entre Brasil e Noruega no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Ramagem informou que seu pedido de asilo está sendo analisado pelas autoridades norte-americanas, enquanto tramita também um pedido de extradição feito pelo governo brasileiro.
O ex-deputado federal foi condenado em setembro do ano passado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado. A condenação se refere a crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Ramagem nega todas as acusações e considera a situação uma perseguição política.
Após sua condenação, Ramagem deixou o Brasil pela fronteira entre Roraima e Guiana, mesmo com uma proibição da Justiça de deixar o país. Ele entrou nos Estados Unidos utilizando um passaporte diplomático, sendo, por isso, considerado foragido da Justiça brasileira. Durante a entrevista, afirmou que as autoridades brasileiras tentaram deportá-lo clandestinamente, alegando que a extradição seria uma farsa.
Além de negar a tentativa de golpe de Estado, o ex-diretor da Abin expressou sua intenção de retornar ao Brasil após as próximas eleições presidenciais. "Com essa luta, vamos virar 2027, [com a eleição de] Flávio Bolsonaro e a gente volta pro Brasil", afirmou durante a conversa.
Ramagem foi preso em 13 de abril pelo ICE, órgão responsável pela imigração e controle de aduanas nos EUA, após ser abordado por uma infração de trânsito em Orlando, na Flórida. Ele foi liberado dois dias depois, sem a necessidade de pagamento de fiança, e permanece nos Estados Unidos enquanto aguarda a decisão sobre seu pedido de asilo, que alega perseguição política. Além disso, Ramagem perdeu seu mandato de deputado federal em dezembro, devido a faltas consecutivas, conforme decisão da Mesa Diretora da Câmara.



