A Polícia Federal (PF) realizou nesta quarta-feira, 20, um novo depoimento de Roberta Luchsinger, empresária e amiga de Fabio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha, no contexto das investigações sobre fraudes relacionadas ao INSS. O inquérito analisa a atuação de Luchsinger e suas conexões no mercado de cannabis medicinal, especialmente sua relação com Antônio Camilo Antunes, um lobista identificado como central no esquema investigado.
As apurações revelam que Luchsinger atuou como intermediária entre Antunes e Lulinha, que demonstrava interesse no setor de remédios à base de cannabis. O lobista, apelidado de careca do INSS, e Lulinha eram sócios na World Cannabis, uma empresa que fornece medicamentos de cannabis no Brasil. De acordo com as investigações, Luchsinger prestou consultoria ao lobista, recebendo R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de R$ 300 mil, conforme análise do sigilo fiscal de Antunes.
O objetivo da consultoria era facilitar um acordo com o Ministério da Saúde para a inclusão dos medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), mas esse contrato não se concretizou. Em uma gravação de áudio obtida, Luchsinger discute com Antunes sobre a possibilidade de dispensa de licitação, mencionando a nova lei das licitações e a criação de um documento robusto para justificar essa dispensa.
Durante o depoimento, a PF deverá investigar se Lulinha teve relações comerciais diretas com Antunes ou se recebeu pagamentos dele. As investigações indicam que os três, Luchsinger, Lulinha e Antunes, viajaram juntos à Europa em busca de oportunidades no setor de cannabis.
A defesa de Lulinha afirma que ele nunca firmou contratos ou recebeu valores do lobista. Por sua vez, os advogados de Luchsinger escolheram não comentar sobre o depoimento. Luchsinger, que já foi candidata a deputada estadual pelo PT, foi alvo de um mandado de busca e apreensão na quinta-feira, 15, em uma ação da PF, parte da Operação Sem Desconto, que teve início no final do ano anterior.
Filha de um banqueiro suíço, Luchsinger ganhou notoriedade em 2017 ao manifestar apoio financeiro ao presidente Lula após o bloqueio de contas ordenado por Sergio Moro (União-PR) durante a Operação Lava Jato, tendo declarado uma doação pessoal de R$ 500 mil. Além disso, em suas redes sociais, ela demonstra uma amizade próxima com a esposa de Lulinha, a quem se refere como "irmã de alma."



