O banqueiro Augusto Lima participou de ao menos oito reuniões com membros do Banco Central em 2025, conforme registros da agenda oficial da autarquia. Durante essas reuniões, ele foi identificado como CEO do Banco Master, exceto em uma ocasião em setembro, quando atuou como diretor-presidente do Banco Pleno, liquidado em 18 de outubro. Essa informação contrasta com a declaração de sua defesa, que alegou que Lima havia deixado suas funções executivas no Banco Master em maio de 2024.
O Banco Central e o Banco Master não comentaram sobre os registros até a publicação do texto. Além disso, a defesa de Augusto Lima não foi localizada para esclarecimentos. Após a prisão de Lima pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras, os advogados dele divulgaram uma nota afirmando que ele foi pego de surpresa pela operação.
Na Quarta-feira de Cinzas, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, ex-Voiter, que Lima comandou. Em agosto do ano passado, o BC aprovou a transferência do controle societário do Banco Voiter para Lima. Essa transferência foi seguida por reuniões com diretores do BC, incluindo encontros em 6 e 14 de agosto, antes da oficialização da transferência.
Lima também atuou como CEO do Master em uma videoconferência com o BC em setembro, um mês após a transferência de controle. Ele se reuniu com o Banco Central em várias datas, incluindo 11 de abril, 8 de maio, 2 de julho e 19 de julho de 2025, com a presença do presidente do BC, Gabriel Galípolo. A única reunião registrada como diretor-presidente do Pleno ocorreu em 11 de setembro, cerca de um mês após a aprovação da transferência de controle.

