Uma audiência pública na Câmara de Foz do Iguaçu revelou um aumento de 200% nos casos de estupro e atentado violento ao pudor na cidade, referente ao biênio 2024-2025. A pesquisadora Rosane Amadori, do Observatório de Gênero e Diversidade da América Latina e Caribe, apresentou os dados, que foram obtidos da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná.
Outro dado alarmante é o aumento de 43,49% no descumprimento de medidas protetivas de urgência no último ano. Rosane destacou que esses números expõem fragilidades no cumprimento das leis existentes, colocando as vítimas em situação de risco. Ela também mencionou as vulnerabilidades que afetam mulheres e meninas na região de fronteira, onde o tráfico de pessoas para exploração sexual é uma preocupação crescente.
A audiência, que contou com cerca de 120 participantes, discutiu as deficiências nas políticas públicas de combate à violência contra a mulher. A gestão do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) foi criticada por não aderir ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. Além disso, houve cobranças aos presidentes da Argentina e do Paraguai sobre a falta de ações concretas para enfrentar a violência de gênero.
Os participantes enfatizaram que a violência contra a mulher abrange não apenas agressões físicas e psicológicas, mas também questões como subemprego e a falta de redes de proteção. A professora Madalena Ames e a coordenadora das Promotoras Legais Populares da Fronteira, Danielle Araújo, ressaltaram a necessidade de uma rede de apoio integrada entre Brasil, Paraguai e Argentina para combater a impunidade e proteger as vítimas.



