O setor logístico em Mato Grosso enfrentou uma situação incomum na última semana, com o aumento nos preços dos fretes rodoviários para o transporte de grãos em diversas rotas do estado. Esse fenômeno ocorre apesar de uma oferta equilibrada de cargas, o que sugere que a principal causa para a alta são as dificuldades na disponibilidade de caminhões nas estradas mato-grossenses.
De acordo com informações do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que divulgou um boletim na quinta-feira (23), uma parte significativa da frota de caminhões deixou o estado. Os transportadores estão buscando oportunidades de fretes mais vantajosos em outras regiões do Brasil, resultando em uma diminuição da oferta local e proporcionando maior poder de negociação para as empresas que permanecem na área.
As rotas que ligam Diamantino a Rondonópolis e Querência a Uberlândia (MG) registraram as maiores variações nos preços. O trecho de Diamantino a Rondonópolis, considerado um dos mais importantes para o escoamento de grãos, teve um aumento de 3,20%, atingindo uma média de R$ 155,00 por tonelada. Já a rota entre Querência e Uberlândia apresentou um incremento de 3,28%, com o valor médio de R$ 333,70 por tonelada. Esses dados evidenciam a pressão sobre os custos em um período crítico para o escoamento da safra, afetando diretamente a planilha de custos dos produtores rurais.
Rodrigo Silva, coordenador de inteligência de mercado agropecuário do Imea, afirma que a situação atual não corresponde à normalidade esperada. Ele observa que, nesta época do ano, seria comum observar uma desvalorização nos preços de frete, especialmente com o término da colheita da soja da safra 2025/26.
A manutenção dos preços elevados também é influenciada pelo custo do diesel, que continua a pressionar os gastos operacionais das transportadoras, mantendo-se acima dos níveis observados no mesmo período do ano anterior. Mato Grosso depende fortemente da malha rodoviária para o transporte de sua produção até os centros consumidores e portos. Com o aumento no valor do frete, a rentabilidade dos produtores é imediatamente impactada, uma vez que os custos logísticos são componentes cruciais do custo total de produção.
Rodrigo Silva ressalta que a eficiência no escoamento da produção é vital para a sustentabilidade econômica das propriedades rurais e para a competitividade do estado como um dos principais produtores de grãos do país.



