Bolsonaro pretende recorrer de condenação no STF com embargos infringentes

Defesa do ex-presidente busca revisar a sentença de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado

Bolsonaro pretende recorrer de condenação no STF com embargos infringentes
Ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre medida restritiva. Foto: Metrópoles

Defesa de Jair Bolsonaro planeja apresentar embargos infringentes no STF, buscando reverter condenação de 27 anos por tentativa de golpe.

Embargos infringentes: defesa de Bolsonaro busca reverter condenação

Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) planejam apresentar embargos infringentes ao Supremo Tribunal Federal (STF) em resposta à condenação a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A defesa entende que, apesar de não terem apresentado os segundos embargos de declaração, o recurso é cabível e necessário para apontar vícios remanescentes na decisão.

Bolsonaro, atualmente preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, não apresentou os segundos embargos até as 23h59 da última segunda-feira (24/11). Embora os embargos de declaração não revertam a condenação, eles permitem que a defesa aponte omissões, contradições ou erros materiais no julgamento.

Contexto legal dos embargos infringentes

A defesa argumenta que a interposição de embargos infringentes é viável, mesmo que a jurisprudência do STF requeira a existência de pelo menos dois votos divergentes entre os cinco ministros da Turma. No julgamento, apenas o ministro Luiz Fux apresentou voto divergente. Os embargos infringentes têm como objetivo reverter a condenação com base no voto minoritário.

O argumento central é o direito ao duplo grau de jurisdição, que possibilita ao condenado a revisão de sua sentença por outro órgão jurisdicional. No entanto, a jurisprudência do STF tende a rejeitar esse entendimento, o que torna a aceitação desse eventual recurso incerta.

Implicações da prisão de Bolsonaro

Com o encerramento do prazo para a apresentação de novos recursos, o ministro Alexandre de Moraes poderá declarar o trânsito em julgado do processo em relação a Bolsonaro. A decisão também permitirá ao magistrado avaliar se os demais recursos apresentados, como os dos advogados de Almir Garnier e Walter Souza Braga Netto, devem ser encaminhados para deliberação ou se são considerados protelatórios.

Além da questão dos embargos, Jair Bolsonaro enfrenta um processo por coação, no qual seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, e o jornalista Paulo Figueiredo foram denunciados. Contudo, o ex-presidente foi excluído da acusação após entendimento do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Medidas cautelares e prisão preventiva

Desde julho, Bolsonaro cumpre medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Em agosto, teve sua prisão domiciliar decretada. A prisão preventiva foi determinada pela Polícia Federal, que alegou risco de fuga, especialmente após uma vigília convocada por Flávio Bolsonaro em frente ao condomínio do pai. A PF apontou que a aglomeração poderia facilitar uma tentativa de fuga.

A decisão de Moraes também menciona a violação da tornozeleira eletrônica. Um vídeo apresentado como prova mostra Bolsonaro utilizando um ferro de solda para danificar o dispositivo. A tornozeleira precisou ser substituída antes da operação da PF.

Bolsonaro afirmou em entrevista que continuará a ser candidato até que sua “morte política seja anunciada”. Com a possibilidade de recorrer de sua inelegibilidade, o ex-presidente busca reverter sua situação para participar das eleições de 2026.

Fonte: www.metropoles.com

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