O Botafogo de João Paulo Magalhães, Tite, Cabral, Danilo, Montoro, Telles e companhia é um desastre retumbante. Uma equipe descompromissada e com alma da Série B. No Brasileirão-2026, a Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sempre colocou o Mais Tradicional com baixíssimas probabilidades de queda: de 2% a 5%. O problema é que, a cada rodada, o Alvinegro tem se esforçado para contrariar este prognóstico e chegar ao último jogo do ano, em dezembro, contra o Santos, na Vila Belmiro, com a corda no pescoço.
Após suar sangue para vencer a lanterna Chapecoense por 1 a 0, em casa, o Glorioso só precisava de seis pontos em sete compromissos para resolver a vida, independentemente de outros resultados. Sem sair do lugar, no entanto, a equipe continua com a obrigação dos mesmos dois triunfos, agora, contudo, em cinco embates. O derretimento do Botafogo ocorre no pior momento possível: enfrentou dois adversários do Z4 e voltou para o Rio de Janeiro com fragorosas derrotas para Internacional e Remo.
Aquelas porcentagens ínfimas de rebaixamento, na frieza dos números, não acompanham o desempenho de uma equipe que assumiu o posto do pior futebol praticado na elite do futebol brasileiro. O último lugar da liga nacional apresenta melhores indicativos do que o grupo comandado por Tite. O Glorioso é sinônimo de uma apatia: um organismo inanimado, que não realiza as funções vitais e carece de metabolismo.
O que este plantel, com o salário em dia, deseja provar? Em toda entrevista, no intervalo de um jogo, algum jogador sentencia que o Botafogo não consegue transmitir para o campo o que treina no Espaço Lonier e lamenta um gol sofrido no início do primeiro tempo. Teoria e prática não dialogam mais no Mais Tradicional. O discurso é enfadonho e repetitivo. Há, por acaso, algo podre no reino da Dinamarca? Tudo indica que a frase célebre de “Hamlet”, de William Shakespeare, parece fazer sentido. Tudo se desenha para um desfecho indesejável, assim como na tragédia do dramaturgo britânico.



