Na última sexta-feira (24), o Brasil negou a concessão de vistos a dois funcionários dos Estados Unidos que tinham a intenção de se reunir com autoridades eleitorais. A informação foi confirmada por uma fonte diplomática, que apontou o “risco de instrumentalização política” como justificativa para a negativa. O episódio ocorre a menos de três meses das eleições presidenciais, marcadas para outubro de 2023.
Essa decisão representa um novo capítulo nas já tensas relações entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo americano liderado por Donald Trump. Em outubro, Lula buscará a reeleição enfrentando o senador Flávio Bolsonaro, que é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, e atualmente cumpre prisão domiciliar em razão de uma condenação relacionada a uma tentativa de golpe de Estado.
Conforme a fonte brasileira, a solicitação dos vistos ocorreu em 20 de julho, com a justificativa de que os funcionários americanos viajariam para discutir questões de liberdade de expressão nas eleições. Contudo, a solicitação coincidiu com um encontro entre Flávio Bolsonaro e diplomatas estrangeiros, onde o candidato do PL levantou questionamentos sobre a confiabilidade do sistema de votação eletrônica.
Flávio Bolsonaro utilizou argumentos que lembram os que levaram à inelegibilidade de seu pai em 2023, que também foi condenado por tentativa de golpe. Diante do contexto, a representação diplomática do Brasil optou por negar os vistos solicitados pelos americanos.
Até o momento, as autoridades dos Estados Unidos não se manifestaram sobre a negativa dos vistos. Recentemente, o governo Trump implementou duas rodadas de tarifas aduaneiras sobre produtos brasileiros, somando-se a sanções já existentes desde o ano anterior. Lula, por sua vez, acusou Flávio Bolsonaro de ser um “traidor da pátria” por supostamente incentivar essas tarifas, o que Flávio nega.
Durante sua presidência, Donald Trump foi um aliado de Jair Bolsonaro e apoiou candidatos da direita em diversas eleições recentes em países da América Latina, incluindo Argentina, Colômbia e Honduras.



