O Governo da Paraíba anunciou a decretação de calamidade pública devido aos intensos temporais que vêm atingindo o estado desde a última sexta-feira. A decisão foi tomada após a análise de dados pluviométricos que revelaram índices históricos, superando os registros dos últimos 30 anos em diversas localidades. O balanço mais recente da Defesa Civil informa que as chuvas severas resultaram em duas mortes e impactaram diretamente cerca de 16 mil cidadãos paraibanos.
A situação crítica gerada pelos alagamentos e deslizamentos de terra forçou muitas famílias a deixarem suas casas por questões de segurança. Até o momento, o estado contabiliza mais de 700 pessoas desabrigadas, que dependem de abrigos públicos, além de 600 desalojadas, que se refugiaram na casa de amigos e familiares devido ao risco elevado de desabamentos. As regiões mais afetadas estão localizadas na faixa litorânea e na área metropolitana de João Pessoa.
Em Rio Tinto, cidade situada a 60 quilômetros da capital, as condições são alarmantes, especialmente para os moradores das áreas periféricas. Na comunidade Veloso, o único acesso terrestre está completamente submerso, fazendo com que a água alcance níveis que dificultam a circulação de veículos e pedestres. Em alguns pontos, a profundidade da água ultrapassa a altura do joelho, o que agrava a situação.
Para enfrentar o problema, a travessia de trabalhadores tem sido realizada por caminhões de grande porte, que conseguem transitar pelas áreas alagadas. Os moradores relatam dificuldades extremas para se locomover, além do isolamento frequente da comunidade sempre que as chuvas se intensificam. Marcas visíveis nas paredes das casas indicam que, em dias anteriores, o nível da água chegou a ser ainda maior do que o observado atualmente.
As equipes de resgate estão ativas em diversas áreas de risco, prontas para fornecer assistência imediata e monitorar encostas que podem desabar. De acordo com as previsões meteorológicas, o litoral do Nordeste deve continuar recebendo chuvas acima da média para esta época do ano. Esse cenário mantém as autoridades em constante alerta, uma vez que o solo já saturado aumenta significativamente o risco de novos deslizamentos em áreas de encosta ocupadas.



