A proposta que busca alterar a jornada de trabalho no Brasil se aproxima de um momento crucial no legislativo, com trabalhadores e empresários apresentando visões distintas. A Câmara dos Deputados deve divulgar, nesta segunda-feira (25), o parecer da comissão especial que analisou o fim da escala 6×1. A expectativa é que a votação ocorra até quinta-feira (28), com um texto que prevê a redução da carga máxima semanal de 44 para 40 horas, substituindo a atual escala de seis dias de trabalho por uma nova jornada de cinco dias, mantendo os salários inalterados.
Sindicatos e associações têm defendido a mudança, argumentando que a nova configuração é essencial para promover a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. Em contrapartida, entidades representativas do setor empresarial alertam que a proposta poderá elevar os custos de produção e impactar negativamente a economia, inclusive gerando riscos inflacionários.
Os defensores do término da escala 6×1 apresentam uma série de argumentos embasados em estudos sobre qualidade de vida no trabalho. Um dos principais pontos é a melhoria da saúde mental, pois o regime atual, que exige seis dias consecutivos de trabalho, limita o tempo de descanso e recuperação do trabalhador. A proposta de dois dias de folga consecutivos é vista como uma forma de reduzir casos de estresse, ansiedade e síndrome de burnout, problemas que afetam um grande número de pessoas, especialmente nas áreas de comércio, varejo e serviços.
Outro argumento favorável à mudança é o aumento da produtividade. Testes realizados em diversos países indicam que uma jornada reduzida pode levar a um aumento no desempenho dos trabalhadores, resultando em melhores resultados para as empresas. Além disso, há expectativa de que a nova jornada diminua as faltas e atrasos, bem como a rotatividade de funcionários, o que pode reduzir os custos com contratações e treinamentos.
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6×1 requer a aprovação de 308 votos na Câmara Federal, o que representa três quintos dos 513 deputados. Caso o projeto seja transformado em um projeto de lei complementar, a aprovação será mais simples, demandando apenas a maioria absoluta dos votos no plenário.
Independentemente do desfecho na Câmara, o projeto ainda precisará ser analisado pelo Senado Federal, onde a votação da PEC seguiria o mesmo critério de aprovação, necessitando de três quintos dos votos, ou seja, 49 dos 81 senadores, em dois turnos de votação.



