O ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes e a principal bancada governista na Câmara dos Deputados manifestaram nesta quinta-feira, 05, apoio ao processo de impeachment do presidente Santiago Peña. A decisão foi divulgada em meio à crise gerada pelo colapso do Ueno Bank, instituição ligada a antigos sócios do chefe de Estado, e amplia o isolamento político do mandatário.
Em comunicado publicado no X, Cartes, que preside a Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, afirmou que a legenda não ficará ao lado do saque dos fundos públicos, privados e dos aposentados. Segundo ele, o partido apoiará o julgamento político para reconduzir a institucionalidade da República. Em nota separada, a bancada ANR "A" informou que votará a favor da acusação constitucional em resposta às reivindicações da população, com base em convicções republicanas e no respeito às instituições democráticas.
A Câmara iniciou na manhã desta quinta-feira a sessão para analisar a acusação contra Peña. , a adesão da bancada, com 35 deputados presentes, somou-se ao apoio dos demais grupos políticos e abriu a possibilidade de votação unânime. Para encaminhar o processo ao Senado, são necessários dois terços dos votos dos deputados presentes. A eventual destituição dependerá do julgamento pela Câmara Alta.
Cartes também se reuniu com o vice-presidente Pedro Alliana para discutir a sucessão presidencial em caso de saída de Peña, segundo o ABC Color. Pela Constituição, Alliana assumiria a Presidência. , o presidente da Câmara, Raúl Latorre, disse que Peña se considera inocente e pretende enfrentar o processo.
O Banco Central paraguaio iniciou nesta semana a dissolução do Ueno Bank, suspendendo operações e saques. Segundo a Associated Press, a instituição mantinha cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, dos quais aproximadamente US$ 380 milhões eram do instituto estatal de previdência. A crise provocou protestos em Assunção e a detenção de oito executivos e empresários ligados ao banco.



