Nos últimos dias, cerca de 40 mil imigrantes atravessaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta, conforme informado por uma fonte policial nesta sexta-feira (31). Essa onda de chegadas resultou na mobilização do Exército espanhol para apoiar as operações de segurança no território autônomo localizado no norte da África. A movimentação de imigrantes não cessou durante a noite, embora o fluxo tenha diminuído em comparação ao dia anterior. A mesma fonte relatou que, apesar da redução, milhares de pessoas continuaram a chegar a Ceuta.
Na quinta-feira (30), jornalistas da AFP observaram um fluxo constante de imigrantes adentrando a cidade. Muitas pessoas deixaram para trás boias e roupas na areia, próximas ao ponto onde a cerca que delimita a fronteira encontra o mar. Em Fnideq (Castillejos), cidade marroquina adjacente a Ceuta, jovens se reuniram durante a noite, acreditando que “a fronteira estava aberta”.
As razões que levaram a essa súbita migração de homens jovens e adolescentes ainda não estão claras. A situação atual remete a eventos ocorridos em maio de 2021, quando mais de 10 mil pessoas cruzaram a fronteira em um período de apenas dois dias, após o governo de Marrocos relaxar os controles fronteiriços durante uma crise diplomática com a Espanha.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, planeja visitar Ceuta, onde se reunirá com as forças de segurança na fronteira e, posteriormente, com as autoridades regionais, acompanhado pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. Para garantir a segurança no enclave, o governo espanhol anunciou o envio de soldados para auxiliar a Guarda Civil na manutenção da ordem.
O Ministério do Interior informou que um acordo foi firmado com Rabat para devolver, o mais rápido possível, todas as pessoas que adentraram Ceuta de forma ilegal. Até o momento, não houve pronunciamento oficial das autoridades marroquinas sobre a situação. As imagens impactantes do fluxo de imigrantes atravessando a fronteira relembram o uso que o governo Donald Trump fez do caso de Ceuta em debates sobre imigração.
A França também anunciou um reforço nos controles na fronteira espanhola em resposta a essa crise. A atual onda de chegadas de imigrantes é a maior desde 2021 e ocorre após a visita de Sánchez à Argélia em 20 de julho, marcando a primeira visita de um chefe de governo espanhol ao país em quatro anos, após um período de tensões diplomáticas entre as duas nações.



