A implementação da política de piso mínimo do frete resultou em um aumento médio de 16,4% nos custos do transporte rodoviário, conforme levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O estudo, que abrangeu 1.571 empresas industriais entre 1º e 13 de abril, indica que as pequenas e médias empresas do Nordeste enfrentam um impacto ainda mais significativo, com aumentos que podem chegar a 19% e 18%, respectivamente. Para as grandes empresas, a elevação nos custos é de 14%.
A análise destaca que a percepção dos impactos varia conforme a localização das empresas. As do Nordeste apresentam o maior aumento médio nos custos de transporte, alcançando 20,3%, seguidas pelas do Norte, que registram 17,2%. A pesquisa sugere que as características logísticas dessas regiões, como a dependência do transporte rodoviário e a importância das operações de frete de retorno, intensificam os efeitos da política de piso mínimo.
Além disso, a sondagem revela que 94% das empresas industriais que utilizam transporte rodoviário percebem impactos negativos decorrentes da política de piso mínimo. Dentre elas, 64% consideram esses efeitos como altos ou muito altos. A CNI ressalta que a metodologia utilizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para estabelecer os pisos mínimos está, em sua maioria, desalinhada com a realidade operacional do setor, conforme a opinião de oito em cada dez empresas.
Os setores que mais sentem os efeitos do tabelamento do preço do frete incluem aqueles relacionados a produtos minerais não metálicos, como fertilizantes e cerâmica, que enfrentam um aumento médio de cerca de 23% nos custos de transporte. Setores alimentícios e de máquinas e equipamentos também experimentam elevações acima da média nacional.
A CNI expressa preocupações em relação à Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, que está em tramitação no Congresso Nacional. A entidade argumenta que a proposta intensifica a fiscalização e as penalidades para o não cumprimento da tabela de fretes, o que gera apreensão na indústria. Entre as empresas que estão cientes da medida, 85% apontam a elevação dos custos de transporte como a principal preocupação, enquanto 57% destacam a perda de competitividade e 35% mencionam riscos de insegurança jurídica.
A CNI defende que alterações sejam feitas na MP durante sua análise no Congresso, que teve início em uma comissão especial nesta quarta-feira.



