O corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, determinou que Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não poderá atuar como perito em processos judiciais. A decisão foi tomada após a escolha de Tagliaferro para atuar na 1ª Vara Cível de Pouso Alegre, em Minas Gerais, onde ele deveria examinar a autenticidade de uma gravação relacionada a descontos em benefícios previdenciários.
A medida visa garantir que profissionais com mandados de prisão em aberto não continuem aptos a receber nomeações judiciais. No ofício datado de 14 de julho, Campbell solicitou uma revisão “imediata e rigorosa” dos cadastros de peritos. A nomeação de Tagliaferro, feita pelo juiz José Hélio da Silva, foi suspensa no mesmo dia, e desde então ele não pode exercer funções na área.
No documento enviado à Corregedoria, foi registrado que Tagliaferro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) e possui um mandado de prisão preventiva em aberto. Para o corregedor, permitir que uma pessoa com essa condição exerça funções auxiliares ao juízo é incompatível com os princípios da moralidade e da segurança jurídica.
Este não foi o primeiro incidente envolvendo Tagliaferro. Em junho, ele havia sido nomeado perito em um caso cível contra o Itaú, que tramitava em Astorga, no Paraná. A juíza Karina de Azevedo Malaguido revogou essa nomeação ao tomar conhecimento da situação judicial de Tagliaferro. A Corregedoria Nacional já havia aberto um pedido de providências a respeito do caso, destacando a gravidade das acusações contra ele.
As acusações contra Tagliaferro foram amplamente divulgadas na série de reportagens Vaza Toga, que expôs a atuação de um gabinete clandestino vinculado a Moraes em ações contra opositores políticos. Em setembro de 2025, durante uma audiência na Câmara dos Deputados, Tagliaferro apresentou sua versão sobre os fatos.
Em novembro de 2025, a Primeira Turma do STF decidiu unanimemente receber a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Tagliaferro, que agora enfrenta acusações de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Atualmente, Tagliaferro reside na Itália e contesta as acusações, enquanto o Brasil iniciou o processo de extradição.



