Neste domingo (21), a Colômbia deu início à apuração dos votos da eleição presidencial, que opõe Abelardo de la Espriella, candidato de extrema direita e apoiado por Donald Trump, ao senador esquerdista Iván Cepeda, herdeiro do ex-presidente Gustavo Petro. As pesquisas eleitorais indicam que De la Espriella, advogado de 47 anos, se apresenta como favorito na disputa, utilizando um discurso forte contra as guerrilhas e criticando a esquerda, que atualmente ocupa o poder.
Iván Cepeda, de 63 anos, que é um congressista veterano e filósofo, aparece em segundo lugar nas intenções de voto. Ele é conhecido por sua ligação com o governo e por ter defendido políticas que visam a redução da pobreza, o aumento do salário mínimo e a diminuição do desemprego em um dos países mais desiguais do mundo. A apuração ocorre em um contexto de crescente tensão política e social, marcada pela violência de grupos armados e pelo assassinato de um candidato presidencial.
A assinatura do acordo de paz com a guerrilha das Farc, em 2016, trouxe um período de relativa tranquilidade, mas a atual campanha eleitoral tem sido ensombrada por atos de violência, incluindo ataques com bombas e o uso de drones explosivos. De la Espriella responsabiliza Petro por essa situação, referindo-se a ele como o “chefe da máfia” e ameaçando levá-lo à Justiça dos Estados Unidos.
Autodenominado “El Tigre”, De la Espriella declarou que pretende buscar apoio de Trump e de Israel para implementar uma ofensiva de 90 dias contra as guerrilhas, que incluiria bombardeios e a erradicação de plantações de drogas. Ele é um crítico das políticas de paz propostas por Petro, que foram pouco eficazes em resolver os conflitos armados que persistem no país.
Cepeda, que perdeu seu pai, um político de esquerda, assassinado em 1994, tem sido um defensor das vítimas do conflito colombiano e foi um dos principais responsáveis pela criação da política de “Paz Total” do governo. Em suas falas, ele enfatiza a necessidade de priorizar as questões sociais, afirmando que “pelo bem da Colômbia, primeiro os pobres”.
Gustavo Petro, atual presidente, não pode se candidatar novamente e busca consolidar a presença da esquerda em um país que historicamente foi governado por elites conservadoras. Ele conta com o apoio de outros governos de esquerda, como México e Brasil, enquanto a direita, com respaldo de Trump, ganha força em outras nações da América Latina, como Argentina e Equador.



