Como a produção de leite pode garantir a permanência das famílias no campo

A atividade leiteira é crucial para a fixação de pessoas no meio rural, mesmo diante das dificuldades atuais.

Como a produção de leite pode garantir a permanência das famílias no campo
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A produção de leite se mostra fundamental para a manutenção das famílias no campo, mesmo frente a desafios.

A produção de leite e seu impacto na permanência das famílias no campo

A produção de leite, conforme discutido no 40º Encontro Estadual de Formação dos Professores de Ensino Agrícola, realizado em Porto Alegre (RS), tem um papel crucial na fixação de famílias no meio rural. Marcos Tang, presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), destacou a importância dessa atividade em tempos de crise.

Tang enfatizou que a produção leiteira não se resume apenas a uma questão econômica, mas também social. “A produção de leite é fundamental para manter o homem, a mulher e o jovem no meio rural”, afirmou, ressaltando que a atividade é uma das principais responsáveis pela permanência das pessoas nas áreas rurais.

Desafios da produção leiteira

Durante sua palestra, o dirigente alertou para os desafios enfrentados pela pecuária leiteira, incluindo a necessidade de uma gestão mais pragmática. Ele apontou que, apesar das dificuldades, a produção de leite oferece uma remuneração recorrente, permitindo que os produtores não precisem esperar longos períodos para receber seus pagamentos. “A atividade leiteira tem duas colheitas por dia, que são as ordenhas”, destacou Tang.

Entretanto, ele também abordou a percepção equivocada que muitos têm sobre a entrega do leite. Segundo ele, essa expressão evidencia um problema estrutural de mercado, onde o produtor muitas vezes não sabe quanto receberá pela sua produção. Essa assimetria de informações e poder na cadeia produtiva é um obstáculo que precisa ser superado.

A evolução da produção e seus limites

Outro ponto importante abordado por Tang foi a relação entre o aumento da produção e a rentabilidade. Ele observou que muitos produtores, ao aumentar sua produção, acabam não vendo um retorno financeiro proporcional. “Quando tu tens um funcionário, tu precisas ter dois. E aí tu precisas ter escala”, ponderou.

Tang também mencionou a migração da produção leiteira dentro do Rio Grande do Sul, com muitos produtores se deslocando para regiões onde há mais espaço disponível. Essa mudança é uma estratégia para maximizar a produção e garantir a sustentabilidade das propriedades rurais.

A importância da morfologia e sanidade do rebanho

Durante a palestra, Tang ainda tratou da morfologia das vacas e sua relação com a longevidade e produtividade. Ele explicou que uma avaliação morfológica cuidadosa pode indicar quais vacas têm maior chance de serem produtivas a longo prazo. “Quando tu analisas aqueles itens, tu estás dizendo que aquela vaca tem chance maior de ser longeva”, ressaltou.

A conclusão de Tang foi de que o foco deve ser o equilíbrio produtivo, sanidade e longevidade do rebanho. Ele finalizou afirmando que uma vaca que produz menos, mas é saudável e reprodutiva, pode ser mais lucrativa do que uma vaca de alta produção que vive no limite de suas capacidades.

Considerações finais

A produção de leite, portanto, se destaca não apenas como uma atividade econômica, mas como um pilar da fixação das famílias no campo. Mesmo diante das dificuldades do setor, a gestão adequada e o reconhecimento da importância social dessa atividade podem contribuir para a permanência de pessoas nas zonas rurais do Brasil.

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