A disputa entre o Ministério do Esporte e o Exército pela obrigação de pagar dívidas de manutenção das estruturas da Olimpíada de 2016 segue sem resolução. O passivo financeiro acumulado até o final de 2024 é de R$ 54,5 milhões, valor que não foi quitado nem pelo ministério civil nem pelos militares, que assumiram a gestão do Parque Olímpico de Deodoro desde 2017.
A falta de verba afetou diretamente os treinamentos e eventos promovidos pelo Exército, que suspendeu atividades por insegurança jurídica e ausência de recursos. A parceria entre os órgãos terminou em fevereiro de 2025, após o Ministério do Esporte desistir da renovação. Estruturas como centros de tiro esportivo, arena multiuso e espaços para pentatlo moderno e hóquei sobre grama, que ocupam 496 mil metros quadrados, já perdem capacidade de uso devido ao descaso com a manutenção.
O Exército recorreu à Advocacia-Geral da União (AGU) no fim de 2025 para esclarecer a responsabilidade, argumentando não ter orçamento para assumir dívidas deixadas pelo ministério civil. O caso também envolve custos menores geridos pela Marinha e Aeronáutica, que somavam R$ 4,9 milhões por ano em manutenção e preparação de atletas.
A Câmara de Mediação e de Conciliação da Administração Pública Federal (CCAF) vem tentando resolver o impasse, porém não há prazo definido para a conclusão. Negociações podem estender-se por até dois anos, enquanto o legado olímpico continua inutilizado para a população e os atletas de elite.

