A crise interna do PL, intensificada por um vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), revela desavenças familiares e políticas no seio da família do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde a condenação de Jair em 2025, os conflitos familiares se tornaram mais evidentes, especialmente com a impossibilidade do patriarca de concorrer nas próximas eleições. O apoio a Ciro Gomes (PSDB) por Flávio e lideranças do PL, como Valdemar Costa Neto, foi um ponto central dessa tensão, gerando discordâncias com Michelle.
Em dezembro de 2025, Michelle criticou abertamente a aproximação do PL com Ciro Gomes, o que levou Flávio e seus irmãos, Eduardo, Carlos e Jair Renan, a se manifestarem contra sua posição. Essa situação foi decisiva para que Flávio emergisse como o candidato presidencial do PL, enquanto a ex-primeira-dama optou por se afastar dos eventos públicos para cuidar de Jair, que se encontrava preso.
Desde 2014, o PT tem dominado as eleições para o Governo do Ceará, vencendo três pleitos consecutivos, sendo dois com Camilo Santana e um com Elmano de Freitas. O PL considera o Ceará uma região estratégica para suas ambições eleitorais no Nordeste e, para enfrentar a reeleição de Freitas, a legenda pretende apoiar Ciro Gomes. No entanto, essa decisão não é unânime dentro do partido.
Enquanto Flávio e Valdemar Costa Neto defendem o apoio a Ciro, Michelle se posiciona contra, preferindo apoiar o senador Eduardo Girão (Novo), que, segundo ela, representa melhor o eleitorado bolsonarista e manteve lealdade ao ex-presidente. Valdemar acredita que somente Ciro possui o “capital político” necessário para desafiar o PT no Ceará, apontando que outros nomes poderiam abrir espaço para Freitas.
A situação política se complica ainda mais em Santa Catarina, onde o governador Jorginho Mello (PL) buscará a reeleição. Mello havia estabelecido um acordo com o PP para isolar o PSD de João Rodrigues, principal opositor na disputa. Para isso, o PL planejava lançar a deputada Carol de Toni e o senador Esperidião Amin do PP em uma chapa para o Senado, mas a presença de Carlos Bolsonaro desfez essa aliança.
Michelle não demonstrou apoio à candidatura de Carlos, tendo, inclusive, compartilhado conteúdos nas redes sociais que criticam seu enteado. Além disso, uma foto editada pela deputada estadual Ana Campagnolo (PL), na qual Carlos foi cortado, evidenciou ainda mais as divisões internas durante um evento em abril, organizado pelo deputado federal Daniel Freitas (PL-SC).



