Com a chegada do inverno e as quedas de temperatura, a congestão nasal se torna um desconforto comum entre os brasileiros. Contudo, os sintomas associados ao nariz entupido podem indicar diversas condições clínicas. No Brasil, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) estima que a rinite afete cerca de 30% da população, o que representa aproximadamente 84 milhões de pessoas.
Um dos principais riscos é que a automedicação ou a demora em obter um diagnóstico correto podem encobrir doenças virais mais graves. Dados do Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelam que em 2026 o país registrou 82.544 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), resultando em 3.591 óbitos, sendo que quase metade das ocorrências teve confirmação de infecções por vírus respiratórios.
Para auxiliar na diferenciação dos diagnósticos, especialistas dos hospitais Hospital São Marcelino Champagnat e Hospital Universitário Cajuru, localizados em Curitiba (PR), explicam os sinais característicos de cada patologia. A otorrinolaringologista Nadine Scariot destaca que é comum pacientes chegarem afirmando ter rinite ou sinusite, mas nem todo sintoma nasal é indicativo dessas condições.
A rinite, por exemplo, afeta a mucosa nasal, que é a camada mais superficial do nariz, e provoca uma sensação de obstrução intermitente. Os sintomas típicos incluem coceira no nariz, espirros frequentes, lacrimejamento e secreção nasal clara. Em contraste, a sinusite apresenta uma congestão mais intensa e duradoura, acompanhada de pressão facial, sensação de peso na cabeça e diminuição do olfato.
No caso do resfriado, a congestão nasal começa leve, com coriza clara que se torna mais espessa ao longo da evolução da doença. A gripe, causadora de sintomas mais graves, é caracterizada pela presença de febre alta persistente, dor de cabeça intensa e mal-estar geral. Os médicos alertam que os grupos de risco, como idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças respiratórias crônicas, devem ter cuidados redobrados.
Para prevenir crises de congestão nasal, as orientações incluem a hidratação do nariz através da lavagem nasal diária com soro fisiológico, que ajuda a remover alérgenos e a fluidificar o muco. Além disso, recomenda-se arejar os ambientes, lavar roupas de cama com água quente e evitar o acúmulo de poeira com o uso de tapetes e cortinas.



