Consumir grandes quantidades de shakes, carnes processadas e peitos de frango pode, paradoxalmente, dificultar a queima de gordura, segundo uma médica especializada em emagrecimento. A proteína é um nutriente essencial, assim como os carboidratos e as gorduras, e desempenha um papel fundamental na regulação do metabolismo e na construção e reparação de tecidos, como os músculos. No entanto, o consumo excessivo desse nutriente se transformou em uma moda alimentar que pode atrapalhar a perda de peso e desviar a atenção de alimentos integrais mais ricos em nutrientes.
De acordo com a médica Meghan Garcia-Webb, que atua na área de medicina personalizada e ajuda profissionais de alta performance a controlar o peso, a obsessão atual por proteína saiu do controle. Ela reforça que a proteína é importante, mas destaca que a qualidade da fonte consumida faz toda a diferença. A indústria de alimentos ultraprocessados se aproveita desse apetite crescente, adicionando proteína a produtos como salgadinhos, doces e barras industrializadas, que oferecem pouco valor nutricional real.
Outro problema comum é que muitas pessoas acabam ingerindo mais proteína do que realmente precisam por conta de erros frequentes no cálculo da quantidade ideal. Esse excesso resulta em calorias adicionais que, ao longo do tempo, dificultam o emagrecimento. Embora pareça pouco no dia a dia, esse acúmulo pode substituir alimentos mais nutritivos ou ricos em fibras, fundamentais para a saúde e o controle do apetite.
Para quem busca perder peso, uma estimativa simples pode ajudar a orientar o consumo diário de proteína. A recomendação é ingerir entre 1 e 1,5 grama de proteína por quilograma de massa corporal magra por dia. Isso significa que o cálculo deve ser feito com base no peso desejado, e não no peso atual, especialmente em casos de sobrepeso, já que a gordura corporal não aumenta a necessidade de proteína da mesma forma que o tecido muscular.
Como exemplo, uma pessoa com 90 quilos que deseja chegar a 68 quilos deveria basear sua ingestão de proteína nesse peso-alvo. Nesse caso, uma meta intermediária seria cerca de 90 gramas de proteína por dia. Quando o cálculo é feito com base no peso atual, o valor pode subir para cerca de 120 gramas diárias, gerando um excesso de aproximadamente 400 quilojoules, o equivalente a pouco mais de 100 quilocalorias. Esse valor pode parecer irrelevante isoladamente, mas contribui para dificultar a perda de peso ao longo do tempo.
Esse foco exagerado em atingir uma meta rígida de proteína faz com que muitas pessoas ignorem outros componentes importantes da alimentação, como legumes, verduras e alimentos ricos em fibras. A sensação de que algo ruim vai acontecer se a cota diária de proteína não for atingida acaba criando uma relação pouco intuitiva com a comida, baseada em números e não nos sinais naturais do corpo.
Para tornar a alimentação saudável mais sustentável, a médica recomenda ajustar as metas de proteína de forma realista, ou até mesmo evitar a obsessão por valores exatos. Aprender a perceber a saciedade e a resposta do próprio corpo após as refeições é mais importante do que seguir métricas externas rígidas. Embora a proteína ajude a controlar o apetite por promover maior sensação de saciedade, o contexto importa. Um alimento ultraprocessado com sabor artificial pode até parecer satisfatório no início, mas tende a estimular o consumo excessivo pouco tempo depois.
Uma estratégia mais eficaz é priorizar alimentos ricos em fibras, como feijões, grãos integrais, legumes e verduras, que ajudam a manter a saciedade por mais tempo e fornecem muitos nutrientes com menor densidade calórica. Outros hábitos essenciais para o controle do apetite incluem o gerenciamento do estresse, que pode aumentar a vontade de comer, e um sono adequado. Estudos mostram que dormir bem contribui para um menor consumo alimentar, já que o corpo não entra em estado de busca constante por energia.
Para perder peso e manter os resultados no longo prazo, o mais importante é prestar atenção aos sinais naturais do corpo e adotar um estilo de vida equilibrado, em vez de buscar soluções rápidas. Melhorar a saúde depende da repetição consistente de hábitos simples ao longo do tempo. Não existe um atalho milagroso, e a verdadeira chave para resultados duradouros está na constância.
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