Interceptações realizadas pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, teria exercido controle sobre uma proposta de autonomia financeira do Banco Central, a qual foi apresentada por Ciro Nogueira (PP-PI). Vorcaro afirmou que a proposta foi elaborada conforme suas diretrizes, revelando um estreito vínculo entre o banqueiro e o parlamentar.
As investigações revelaram que projetos de interesse do Banco Master eram enviados a Ciro Nogueira por meio de funcionários da instituição financeira, que utilizavam envelopes destinados ao senador. Essa proposta, que ficou conhecida como "pró-Banco Master", tinha como objetivo aumentar o valor garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF.
Na última quinta-feira, 7, uma nova fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada, trazendo à tona detalhes adicionais sobre as investigações em curso. Os autos indicam que a assessoria do Banco Master foi responsável pela elaboração do texto da emenda, que foi enviada a Vorcaro pelo ex-diretor André Kruschewsky. O documento foi impresso e entregue na residência do senador, no Senado Federal.
Conforme a decisão do ministro André Mendonça, do STF, a Polícia Federal informou que o conteúdo que chegou a Ciro Nogueira foi “reproduzido de forma integral pelo parlamentar”. Após a publicação da proposta, Vorcaro teria declarado: “saiu exatamente como mandei”, evidenciando o controle que exerceu sobre o processo.
As revelações sobre essa articulação levantam questões significativas acerca das relações entre o setor financeiro e a política, especialmente no que diz respeito à influência que instituições financeiras podem ter na formulação de políticas públicas. A continuidade das investigações da Operação Compliance Zero promete trazer mais esclarecimentos sobre o assunto e suas implicações.
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