Mensagens obtidas pelo Ministério Público de São Paulo indicam que um coronel da reserva da Polícia Militar, Luiz Carlos Pereira Martins, convidou um homem sob investigação por ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) para uma viagem à colônia de férias dos oficiais da corporação, localizada em Campos do Jordão, no interior do estado. As conversas, que foram reveladas no programa Fantástico, da TV Globo, estão inseridas em uma apuração mais ampla sobre a relação entre integrantes da PM e suspeitos de envolvimento com a facção criminosa.
As mensagens foram trocadas em setembro de 2020 em um grupo denominado "Viajar Gente Linda". Durante uma das interações, Luiz Carlos sugere que os integrantes do grupo aproveitem um feriado para visitar a cidade na Serra da Mantiqueira. Em uma de suas mensagens, ele afirma: "Quanto ao próximo feriado, podemos ir para Campos do Jordão, na Colônia dos Oficiais!!! Tudo mais em conta, todos como associados!!".
O convite foi respondido por Cleber Azevedo dos Santos, identificado pelos promotores como investigado por seus vínculos com o PCC. Ele demonstrou interesse na proposta e passou a participar ativamente das conversas com os outros integrantes do grupo.
Para o Ministério Público, a troca de mensagens evidencia a proximidade entre o coronel e indivíduos que estão sob investigação por suas ligações com atividades da facção criminosa. Os promotores destacam que esses diálogos são um dos elementos que demonstram a relação mantida entre Luiz Carlos e os investigados.
A colônia de férias mencionada é destinada a oficiais associados da PM e seus dependentes, além de convidados. De acordo com as regras do local, quando há hóspedes convidados, a reserva precisa ser feita por um oficial, que assume a responsabilidade pela estadia. A investigação aponta que o convite feito pelo coronel reforça a confiança entre ele e Cleber Azevedo dos Santos.
Além disso, o relatório do Ministério Público aponta que Luiz Carlos mantinha amizade com outros investigados por ligações com o PCC e, em diversas ocasiões, oferecia ajuda para aproximar esses investigados de oficiais da Polícia Militar. Ele também participava de grupos de mensagens com pessoas supostamente envolvidas em um esquema de lavagem de dinheiro associado ao PCC.



