O ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou nesta segunda-feira (27) sua indignação em relação ao presidente da Argentina, Javier Milei, a quem chamou de "palhaço" em resposta às declarações do argentino durante sua visita ao Brasil. Em entrevista à Rádio Jornal, Durigan destacou que a Argentina enfrenta um cenário econômico muito mais complicado, com um risco-país, dívida pública e inflação superiores aos do Brasil.
Javier Milei esteve No Brasil no último sábado (25) para o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, que é um dos principais adversários de Lula. Durante o evento, Milei quebrou o protocolo diplomático ao ofender Lula, chamando-o de "presidiário", e ainda fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), referindo-se a ele de forma pejorativa.
A visita de Milei, no entanto, não incluiu compromissos oficiais com o governo brasileiro, o que gerou ainda mais controvérsia em relação ao caráter da sua presença no país. Em sua fala, Durigan reconheceu que o Brasil também enfrenta desafios, como o elevado endividamento público, mas enfatizou que a situação econômica do país é mais favorável que a da Argentina.
"Não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar o apocalipse, que vai ter problema, porque o Brasil está com mínima de desemprego, mínima de inflação, recorde de balança comercial e safra recorde. Aqui, a gente cuida do meio ambiente ao mesmo tempo que cuida da economia", afirmou o ministro, destacando os avanços econômicos do Brasil.
As declarações de Milei provocaram uma reação imediata do Itamaraty, que condenou as ofensas do presidente argentino. Em uma nota, o ministério ressaltou que não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território brasileiro, tenha feito agressões e ofensas ao Chefe de Estado e às instituições democráticas. O Itamaraty expressou seu pesar por um episódio tão lamentável, especialmente considerando os 203 anos de amizade e cooperação entre Brasil e Argentina, sendo este último o principal sócio comercial do Brasil.
As tensões entre os dois países, acirradas pelas declarações de Milei e pela reação do governo brasileiro, refletem um momento delicado nas relações bilaterais, em um contexto onde o desempenho econômico de cada nação é amplamente discutido. Os dados econômicos atuais indicam que a Argentina enfrenta uma inflação de 117,8%, enquanto o Brasil apresenta uma situação mais estável, com inflação em 4,26% e 31,5% de desemprego, de acordo com informações do Instituto Nacional de Estatística e Censos.



