Marcelo Ivo, natural de Santos (SP), ingressou na Polícia Federal em 2003 e estava lotado no escritório do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em Miami desde agosto de 2023. Ele era o único delegado federal brasileiro a atuar diretamente nas instalações da agência americana, coordenando a cooperação em investigações e operações migratórias na Flórida.
A expulsão de Ivo está vinculada à detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que ocorreu em 13 de abril em Orlando, na Flórida, após uma abordagem por infração de trânsito. Durante a verificação de sua documentação, foi constatada a invalidade de seu passaporte diplomático, que havia sido anulado pela Câmara em dezembro de 2025, após a cassação de seu mandato.
De acordo com informações, a prisão de Ramagem foi articulada meses antes entre a Polícia Federal e as autoridades de imigração dos EUA. O documento que justificou a detenção não mencionava crimes cometidos no Brasil nem apresentava um pedido formal de extradição. Dois dias após sua detenção, o ICE informou à PF que Ramagem havia sido liberado por “decisão administrativa” e estava autorizado a permanecer nos EUA.
Após sua soltura, Ramagem expressou gratidão à administração Trump e criticou o diretor-geral da PF, sugerindo seu afastamento. Em setembro de 2025, Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos de prisão por sua participação na tentativa de golpe de Estado. Ele deixou o Brasil em setembro do mesmo ano, atravessando a fronteira com a Guiana, e entrou nos EUA utilizando o passaporte diplomático. O governo brasileiro formalizou o pedido de extradição em dezembro de 2025.
A reação de figuras políticas da direita foi imediata. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro ironizou a expulsão do delegado, afirmando que a PF tentou tratar o caso de Ramagem como uma deportação por status migratório inadequado, em vez de seguir o processo formal de extradição. Ele destacou que Ramagem estava legalmente nos Estados Unidos e possuía um pedido de asilo válido.
A expulsão de Marcelo Ivo ocorreu de forma compulsória, mas os motivos específicos não foram detalhados oficialmente pelo governo dos EUA. A Polícia Federal não foi informada previamente sobre a decisão, e o Itamaraty optou por não comentar o incidente.


