O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou que Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, preste um depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal a respeito da apreensão de uma arma registrada em seu nome. O caso está relacionado a uma blitz realizada na última terça-feira, 16 de outubro de 2023.
O delegado Thiago Boing, encarregado da investigação, havia tentado intimar Bolsonaro para que ele explicasse como a arma estava sob a posse do sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho. No entanto, a entrega da intimação foi dificultada devido à ação da equipe de segurança que acompanha o ex-presidente em sua prisão domiciliar.
Após essa dificuldade, Boing fez um novo pedido a Moraes, solicitando a autorização para realizar o interrogatório de Bolsonaro na próxima quarta-feira, 24 de outubro de 2023. Contudo, o ministro determinou que o depoimento ocorra um dia antes, na terça-feira, 23 de outubro, às 15h, no condomínio onde Jair Bolsonaro reside, localizado no bairro Jardim Botânico, em Brasília.
Em sua decisão, Moraes TAMBÉM solicitou que um profissional de saúde esteja presente durante o depoimento de Bolsonaro. A defesa do ex-presidente havia indicado Eduardo Torres, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, mas o nome foi rejeitado pelo ministro. Moraes argumentou que Torres não possui a qualificação necessária para acompanhar a saúde de Bolsonaro, que recentemente enfrentou problemas, como soluços persistentes e uma internação por broncopneumonia no início de 2023.
Além disso, Jair Bolsonaro passou por uma cirurgia no ombro recentemente, o que levanta preocupações adicionais sobre sua saúde durante o depoimento. O sargento Estácio Leite, que foi flagrado com a arma, atuou na segurança de Bolsonaro e foi nomeado assistente técnico após o fim do mandato do ex-presidente, acompanhando-o em viagens aos Estados Unidos e à Argentina para a posse do presidente Javier Milei, em novembro de 2023.
No contexto das investigações, em março de 2023, quando Bolsonaro estava detido, Moraes permitiu a entrada de Estácio e outros assessores na unidade prisional, com a justificativa de que eles seriam responsáveis pela entrega de “alimentação especial” ao ex-presidente, que foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Posteriormente, já em prisão domiciliar, Moraes autorizou a entrada de Estácio na residência de Bolsonaro.



