O Ministério Público do Pará está conduzindo uma investigação sobre o financiamento de uma mansão de luxo localizada em Fortim (CE), que pertence à deputada federal Alessandra Haber (MDB) e ao seu esposo, Daniel Santos, que foi prefeito de Ananindeua. De acordo com informações, emendas parlamentares da deputada foram utilizadas para repassar recursos a empresas, que posteriormente quitaram parcelas do imóvel.
Daniel Santos, que atualmente lidera as pesquisas para o governo do Estado do Pará, renunciou ao cargo de prefeito em abril de 2024 para se candidatar. A aquisição da casa de praia, já mobiliada, ocorreu em outubro de 2024. A incorporadora responsável pela construção informou aos promotores que nem Daniel Santos nem Alessandra Haber realizaram pagamentos diretos pelo imóvel, e que terceiros, incluindo empresas com contratos públicos, assumiram os encargos financeiros.
O esquema investigado envolve a utilização de "emendas pix" que foram enviadas por Alessandra para a gestão municipal liderada por seu marido. Um exemplo é o pagamento de R$ 2,99 milhões à Construtora Santa Cruz, realizado pela prefeitura de Ananindeua em dezembro de 2024, destinado a serviços de tapa-buraco. No mesmo dia, a empreiteira transferiu R$ 500 mil para a conta da incorporadora da mansão.
Outro caso semelhante ocorreu com a empresa Norte Ambiental Gestão e Serviços, que recebeu recursos de emendas em 11 de outubro de 2024, destinados a obras de asfaltamento. Três dias após o recebimento do valor público, um funcionário da empresa fez uma transferência de R$ 200 mil para cobrir os custos da residência de luxo dos políticos.
A quitação da mansão aconteceu em um período de apenas cinco meses, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025. O Ministério Público do Pará está monitorando o fluxo financeiro para verificar se outras empresas contratadas pela prefeitura também contribuíram para a aquisição do patrimônio privado de Alessandra e Daniel.
As emendas parlamentares têm como objetivo destinar recursos da União para serviços locais, mas o MP suspeita de desvio de finalidade. Os promotores estão investigando as razões pelas quais empresas contratadas pela administração municipal atuaram como pagadoras de bens pessoais do ex-prefeito e da deputada federal.



