A atual conjuntura política levanta questionamentos acerca da imparcialidade no jornalismo, que, em muitos casos, se transforma em um disfarce para interesses ocultos. Para lidar com essa realidade, é essencial que os profissionais da área reconheçam suas posições e os objetivos que buscam alcançar com seu trabalho.
Em uma recente formação, o jornalista Duda Teixeira utilizou uma metáfora para ilustrar o ato de escrever, comparando-o ao trabalho de Michelangelo com o mármore. Para o artista, a obra já estava presente no bloco; seu papel era retirar o excesso para revelá-la. No jornalismo, a ideia é semelhante: deve-se eliminar a manipulação e a militância que se disfarçam de notícia, revelando a verdade nua.
Entretanto, o que se observa na prática é um cenário oposto. Em vez de uma escultura, o que é apresentado ao público são informações distorcidas, repletas de viés político, camufladas sob a aparência de imparcialidade. A questão que surge é: o que resta de uma notícia quando o autor esconde sua identidade e afiliações?
O uso da palavra imparcialidade, por muitos veículos, serve como um escudo, não como um compromisso real. A isenção total é um mito, pois todos trazem consigo experiências e bagagens. Portanto, a transparência se torna não apenas uma virtude, mas uma obrigação. Assinar um texto com nome e histórico, incluindo a filiação partidária, não é um ato de humildade, mas uma responsabilidade com o leitor.
Quando um veículo não revela quem é o autor do texto, retira do cidadão a capacidade de defesa mais básica: o filtro crítico. Se o leitor tem conhecimento da posição do autor, ele pode abordar as críticas com uma dose de ceticismo. Sem essa clareza, o que se apresenta não é uma escultura da verdade, mas uma tentativa de moldar a opinião pública para fins eleitorais específicos.
A crítica a gestões públicas é um direito e um dever da imprensa livre e do cidadão que se preocupa com o bem coletivo. Contudo, há uma diferença significativa entre apontar erros para que sejam corrigidos e utilizar essas informações como armamento para destruir adversários. Informações apresentadas sem rosto e vínculos claros se tornam um cavalo de Tróia, disfarçando interesses ocultos sob a aparência de interesse público.



