No Brasil, a discussão sobre a formação de pregadores ganha destaque em um cenário onde 47,4 milhões de evangélicos, representando 26,9% da população com dez anos ou mais, se conectam cada vez mais por meio de plataformas digitais. O pastor e professor Esdras Fernando Carvalho ressalta a importância das competências de oratória, homilética e hermenêutica para a comunicação religiosa, especialmente em um contexto onde as pregações são amplamente divulgadas em vídeos.
O Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a multiplicação de vídeos religiosos e cortes curtos de sermões trouxe à tona a necessidade de um preparo técnico adequado para aqueles que falam a grandes públicos. A questão se torna ainda mais relevante, pois, de acordo com a PNAD Contínua, 90,5% da população brasileira com dez anos ou mais acessou a internet em 2025, o que equivale a cerca de 168,7 milhões de pessoas.
A presença digital das pregações traz tanto oportunidades quanto desafios. Os sermões, que antes ocorriam apenas em templos, agora competem pela atenção em telas, o que pode levar a riscos como a superficialidade na mensagem e a cópia de conteúdos prontos. Este novo cenário levanta um debate sobre a diferença entre popularidade e preparo, com a preocupação de que a busca por recortes virais possa comprometer o estudo bíblico e a interpretação cuidadosa da mensagem.
Carvalho aponta que a facilidade de acesso a sermões prontos pode resultar em uma comunicação religiosa que prioriza a performance em detrimento do conteúdo. Ele alerta que a perda de clareza e credibilidade pode ocorrer quando a entrega da mensagem se torna mais importante do que o seu conteúdo substancial.
Com mais de 25 anos de experiência na formação de comunicadores cristãos, Esdras Fernando Carvalho argumenta que as ferramentas digitais, como a inteligência artificial, devem ser utilizadas para auxiliar na pesquisa e organização de ideias, mas não podem substituir a vivência do texto. Ele enfatiza a necessidade de os comunicadores buscarem inspiração em bons exemplos, sem, no entanto, imitá-los em gestos ou estilo.
A discussão em torno da formação de pregadores tende a se intensificar à medida que as audiências digitais crescem e os formatos se diversificam. Carvalho conclui que o verdadeiro desafio reside em manter clareza, responsabilidade e fidelidade à mensagem, mesmo diante de um alcance ampliado. A profissionalização do ensino de oratória para pregadores no Brasil encontra espaço nesse contexto de crescente demanda por comunicação eficaz.



