A desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, atualmente afastada do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) sob suspeita de negociar sentenças, acumulou R$ 1,3 milhão em salários desde abril de 2024. Apesar de não exercer suas funções durante esse período, ela registrou o maior rendimento em abril de 2026, totalizando R$ 104 mil líquidos, momento em que passou a ser considerada ré. Entre janeiro e maio de 2026, seus contracheques somaram R$ 267 mil, além de R$ 664 mil recebidos em 2025.
O afastamento de Maria do Socorro é resultado de investigações da Operação Faroeste, que está sendo conduzida pela Polícia Federal com supervisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O inquérito investiga o envolvimento de Adailton Maturino, que se apresentou como cônsul da Guiné-Bissau, e sua esposa, a advogada Geciane Maturino, como intermediários de pagamentos e benefícios à magistrada.
As alegações contra Maria do Socorro incluem a simulação de empréstimos com familiares para disfarçar o recebimento de propinas, totalizando R$ 480 mil, através de cheques emitidos por uma empresa de Adailton Maturino. Além disso, o genro da desembargadora teria pago R$ 275 mil em dinheiro vivo na aquisição de um imóvel, quantia que também é suspeita de ter origem ilícita.
A investigação revelou que Maturino presenteou a desembargadora com um relógio Rolex avaliado em R$ 120 mil, que foi encontrado em sua posse durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. O relógio era utilizado por Maria do Socorro em eventos do Tribunal de Justiça, o que levantou ainda mais suspeitas sobre sua conduta.
Outro ponto destacado no inquérito é o acordo entre Adailton Maturino e um restaurante japonês em Salvador, onde as despesas de juízes e desembargadores eram lançadas na conta do estabelecimento. A empresa do operador arcou com R$ 1,5 milhão nessas despesas, sendo Maria do Socorro uma das juízas mencionadas como frequentadora do local.
A Operação Faroeste, iniciada em 2019, é reconhecida como uma das maiores investigações de corrupção no Judiciário brasileiro, revelando um suposto esquema de venda de sentenças relacionado à grilagem de terras no oeste da Bahia. O caso envolve magistrados, advogados e empresários, e inicialmente levou ao afastamento de seis juízes e desembargadores.



