O aplicativo Duolingo, conhecido como uma das ferramentas de aprendizado de idiomas mais populares do mundo, está sob análise devido às suas mecânicas de engajamento, que podem ser prejudiciais para crianças e adolescentes. Com 500 milhões de usuários, a plataforma tem sido alvo de críticas por utilizar métodos que especialistas consideram viciantes, contrariando o que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital.
Um estudo realizado por um veículo de comunicação revelou que, mesmo ao criar uma conta simulando um usuário de 10 anos, o aplicativo incentivou práticas que podem ser vistas como inadequadas. Por exemplo, o Duolingo sugeriu notificações para lembrar o jovem usuário de realizar suas lições diárias. Além disso, ao acertar respostas, o app recompensou a conta com 75 cristais, reforçando o sistema de recompensas que pode tornar o aprendizado um processo mais ligado a pressões do que ao ensino efetivo.
A falta de supervisão parental é um ponto crítico, uma vez que a nova legislação exige que plataformas voltadas para o público infantil ofereçam tais recursos. A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) foi consultada sobre o aplicativo e informou que ainda não instaurou processos de fiscalização contra o Duolingo, mas reconheceu a necessidade de avaliar se as funcionalidades do app podem induzir a pressões emocionais, urgências fabricadas ou escolhas enviesadas.
Os especialistas destacam que o cronômetro regressivo presente nas lições pode se tornar um fator de estresse para as crianças, que muitas vezes se veem pressionadas a responder rapidamente, sacrificando o aprendizado real. Essa dinâmica pode resultar em uma experiência de aprendizado negativa, com efeitos prejudiciais para o desenvolvimento emocional dos usuários.
A legislação atual, que visa proteger crianças e adolescentes em ambientes digitais, estabelece que fornecedores de tecnologia devem criar configurações que evitem o uso compulsivo de seus produtos por menores de 18 anos. A ANPD ressaltou que é responsabilidade destes fornecedores avaliar os riscos associados às funcionalidades de seus produtos, garantindo que o aprendizado ocorra em um ambiente seguro e saudável para o público jovem.



