A medicina avança com ferramentas de edição genética, como a tecnologia CRISPR, e com as biópsias líquidas, que já modificam o tratamento de doenças como Cegueira Hereditária, Colesterol Alto Hereditário, Anemia Falciforme e câncer. A proposta é substituir o uso contínuo de remédios para controle de sintomas por terapias que corrigem a origem genética do problema.
O CRISPR funciona como um localizador e corretor molecular: identifica a falha no DNA, corta a alteração e permite a correção do gene defeituoso. Com isso, doenças crônicas ou letais podem se tornar curáveis. Um exemplo é o tratamento da Anemia Falciforme e da talassemia, em que pacientes reprogramam as próprias células e passam a viver sem crises de dor, internações frequentes e transfusões contínuas.
A biópsia líquida, por sua vez, permite detectar fragmentos de DNA liberados por tumores na corrente sanguínea por meio de um exame de sangue. O método reduz procedimentos invasivos, acelera o diagnóstico e possibilita identificar indícios de tumores de pulmão, mama ou intestino anos antes de se tornarem visíveis em exames de imagem. O diagnóstico precoce também diminui a necessidade de quimioterapia agressiva e aumenta as chances de cura.
Apesar dos avanços, o custo é um desafio. Uma única aplicação de terapia gênica com CRISPR pode ultrapassar milhões de dólares por paciente, criando barreiras para a inclusão no SUS e nos planos de saúde privados. A pesquisadora Lu Oliveira, doutora em Ciências da Saúde, destaca que o grande desafio das próximas décadas é tornar essas tecnologias acessíveis e sustentáveis.
Para ampliar o acesso, são necessárias políticas públicas de inovação local, com produção nacional de biotecnologia para reduzir a dependência de patentes internacionais caras, negociações globais de preços e análise de custo-benefício que considere a economia gerada pela cura definitiva em comparação com anos de internações e medicamentos contínuos.



