O curitibano e o paranaense precisará ter mais paciência com as oscilações nas temperaturas e o aumento das chuvas até dezembro deste ano, após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) acendeu o alerta para possíveis mudanças no comportamento climático do Paraná nos próximos meses devido ao El Niño.
De acordo com o órgão norte-americano, as condições características do evento já estão estabelecidas no Oceano Pacífico Equatorial e a tendência é de intensificação gradual, com maior influência entre a primavera e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul.
As medições da NOAA indicam que a temperatura da superfície do mar permanece acima de 0,5°C desde maio, patamar utilizado como um dos critérios para caracterizar o fenômeno.
As projeções apontam para a continuidade do aquecimento nos próximos meses.
Além da elevação registrada na superfície, os estudos mostram aumento térmico nos primeiros 200 metros de profundidade do oceano, fator que contribui para a manutenção do fenômeno.
Especialistas explicam que as alterações nas águas do Pacífico têm reflexos diretos na circulação atmosférica global.
Segundo o meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib, os ventos alísios, que normalmente sopram de leste para oeste na região equatorial, começaram a apresentar mudanças em sua configuração, favorecendo o deslocamento de águas mais quentes em direção à costa oeste da América do Sul.
De acordo com o profissional, esse processo pode reforçar o aquecimento oceânico e provocar modificações na distribuição das chuvas e na formação de tempestades em diferentes partes do planeta.
No Paraná, episódios anteriores de El Niño estiveram associados ao aumento dos volumes de precipitação, especialmente durante a primavera e o verão, elevando o risco de temporais, alagamentos e deslizamentos em áreas mais vulneráveis.
O Simepar destaca que os impactos específicos para o Estado ainda dependem da intensidade que o fenômeno alcançará nos próximos meses e da interação com outros sistemas meteorológicos. Por isso, o monitoramento permanece contínuo para subsidiar ações preventivas da Defesa Civil, órgãos públicos e setores ligados à agricultura.
A orientação é para que a população acompanhe os boletins meteorológicos oficiais, principalmente em períodos de previsão de chuva intensa. Produtores rurais também devem ficar atentos às atualizações climáticas, já que alterações no regime hídrico podem influenciar o planejamento das safras e o manejo das culturas.
Embora o El Niño esteja associado a padrões climáticos já conhecidos, os especialistas ressaltam que seus efeitos podem variar a cada ocorrência. A expectativa é de que novas projeções sejam divulgadas nas próximas semanas, permitindo avaliações mais precisas sobre a intensidade do evento e seus reflexos no território paranaense.
Como trata-se de um fenômeno em larga escala que produz impactos climáticos globais, é necessário que o aquecimento oceânico esteja acima de 0,5°C da média por três meses consecutivos para que o El Niño, efetivamente, esteja consolidado. A previsão aponta que isso ocorra em julho.
“Por este motivo, o El Niño não impacta, ainda, diretamente o clima no Paraná, mas já poderá impactar a partir de julho. As previsões dos principais centros de monitoramento climático no mundo convergem para o registro de chuvas acima da média mensal até dezembro no Paraná, sendo muito acima durante a primavera”, ressalta Reinaldo.
Há uma chance de 63% de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro. A previsão aponta a possibilidade de que o fenômeno em 2026 seja classificado entre os maiores eventos do El Niño no registro histórico, iniciado em 1950, até o momento.
ORIENTAÇÕES PARA PREFEITURAS – Nesta semana também foi divulgada uma atualização da previsão dos impactos do El Niño pelo sistema europeu Copernicus, que inclui previsões climáticas de centros climáticos da Austrália, Inglaterra, França, Alemanha, Estados Unidos, Japão e Canadá. Assim como a NOAA, este conjunto de previsões converge para a ocorrência de um El Niño forte a muito forte, que favorece com que a previsão de chuvas acima da média no Paraná se mantenha até dezembro.
Já acompanhando o cenário, desde março, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) intensificou a atuação voltada à preparação e mitigação de desastres naturais por meio dos 10 Núcleos de Atuação Regional (NAR). Sob a coordenação da Cedec já foram realizados dois simulados em áreas de risco em Morretes e Antonina, no Litoral. A Defesa Civil promove encontros com os coordenadores regionais e prefeitos para fortalecer ações de prevenção e mitigação frente aos possíveis impactos do El Niño no Paraná.
Entre as iniciativas prioritárias estão o desassoreamento de rios e córregos, atualização do Plano de Contingência com o mapeamento das áreas de risco, da população vulnerável e do cadastro dos abrigos. A criação de fundos municipais de Defesa Civil para a transferência de repasses em casos de desastre.
Em 2025 e 2026, a Defesa Civil destinou R$ 16 milhões de recursos do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) para obras de prevenção de drenagem e reconstrução de pontes nos municípios de Londrina, Guaratuba e Espigão Alto do Iguaçu.
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