No dia 20 de dezembro de 1981, a comunidade de Santa Terezinha realizou um plebiscito que resultou em uma expressiva maioria em favor de sua emancipação. Com 95% dos votos, os moradores se manifestaram de forma clara e decisiva, somando 3.232 votos a favor da criação do novo município, enquanto apenas 30 pessoas se opuseram à medida.
O plebiscito foi uma resposta ao sentimento de abandono que a população vivia na época, em relação à gestão do antigo distrito de Criciúma, que estava sob a administração de Foz do Iguaçu. De acordo com relatos da época, os moradores enfrentavam problemas graves, como a falta de água, esgoto, ruas em péssimas condições e a carência de áreas de lazer. A situação levou a comunidade a buscar autonomia política e administrativa através do voto.
O subprefeito Olívio Buzzanelo, na época, argumentava que as demandas da população não podiam ser atendidas devido à baixa arrecadação do distrito em comparação às suas despesas. Esse descontentamento foi um dos principais motores do movimento pela emancipação, que contou com a mobilização da Comissão Pró-Emancipação, formada por líderes e pioneiros locais.
A vitória no plebiscito teve um desdobramento importante: em 3 de maio de 1982, Santa Terezinha de Itaipu foi oficialmente elevada à condição de município do Paraná, por meio da Lei Estadual n.º 7.572. Essa norma representou o reconhecimento da vontade popular, consolidando a autonomia tão desejada pelos seus habitantes.
A relevância desse evento histórico é preservada hoje no Museu da Imprensa de Foz do Iguaçu, que disponibiliza o acesso ao conteúdo que documenta esse marco social e político. A iniciativa de resgatar e valorizar a memória local é fruto de um esforço conjunto da Associação Guatá, com apoio da Itaipu Binacional, e inclui uma coleção digital de quase 20 mil páginas, que abrange um período de mais de seis décadas, iniciando em 1953.
A trajetória de Santa Terezinha, desde o plebiscito até sua emancipação, é um exemplo de como a mobilização popular pode resultar em mudanças significativas na estrutura administrativa de uma localidade. O passado de luta por autonomia reflete a importância da participação cidadã na construção da história local.



