A proprietária da Deusa Colorida Modas, localizada em Florianópolis, gerou polêmica nas redes sociais após publicar vídeos nos quais expressava descontentamento em atender consumidores de menor poder aquisitivo. As declarações, que provocaram uma onda de indignação, resultaram em uma notificação pelo Procon Municipal, que iniciou uma apuração sobre a conduta da empresária.
Na gravação, a empresária afirmou que não desejava “clientes pobres” e criticou consumidores que buscavam produtos mais acessíveis, como aqueles que custavam R$ 20 e R$ 50. Em uma das postagens, ela chegou a dizer que “pobre é uma desgraça” e que esses clientes frequentemente não tinham dinheiro para efetuar compras. Esse tipo de manifestação foi considerado abusivo e discriminatório, conforme o artigo 37, parágrafo 2º, do Código de Defesa do Consumidor (CDC).
O Procon de Florianópolis avaliou que as publicações não eram meras opiniões pessoais, mas sim uma representação de práticas comerciais que poderiam ferir os direitos dos consumidores. Tiago Silva, diretor do Procon Municipal, comentou que a declaração da empresária era revolta, pois o consumidor deve ser tratado com dignidade, independentemente do valor que está disposto a gastar em uma compra. Ele destacou que quem opta por uma peça de R$ 20 tem os mesmos direitos que aqueles que adquirem produtos de R$ 1 mil.
Além disso, a notificação do Procon também mencionou o artigo 39, inciso II, do CDC, que proíbe a recusa de atendimento ao consumidor quando há disponibilidade de produtos. O inciso IV do mesmo código veda que o fornecedor se aproveite da fraqueza ou ignorância do consumidor.
Após a repercussão negativa, a empresária se manifestou novamente, pedindo desculpas e reconhecendo que as palavras utilizadas foram inadequadas. Ela afirmou que suas declarações não refletem os valores da Deusa Colorida Modas, que atua no mercado de moda feminina há 20 anos.
No novo pronunciamento, a proprietária esclareceu que a loja possui um posicionamento comercial específico, com faixas de preço e perfis de produtos definidos. Contudo, enfatizou que isso não justifica uma postura discriminatória ou qualquer tipo de julgamento em relação aos consumidores. Ao final, ela assumiu a responsabilidade pelas declarações e agradeceu a quem a alertou sobre a gravidade do episódio, considerando-o um aprendizado para a continuidade de suas atividades na região.



