O uso de creatina como suplemento tem se tornado cada vez mais comum, especialmente entre jovens que buscam melhorar seu desempenho físico. No entanto, a elevação dos níveis de creatinina em exames de rotina tem gerado preocupação entre esses indivíduos, que frequentemente associam essa alteração a problemas renais. O clínico Geral e Nefrologista Dr. Virgilio Gonçalves Pereira Jr. explica que, embora a creatina e a creatinina tenham nomes semelhantes, suas funções no organismo são diferentes.
A creatina é uma substância natural, produzida pelo corpo e obtida através da alimentação, especialmente em fontes de proteína animal. Armazenada principalmente nos músculos, a creatina atua como uma reserva de energia rápida, essencial para atividades de alta intensidade, como levantamento de peso e corridas. Devido a essa função, o suplemento de creatina é amplamente utilizado por aqueles que desejam ganhar massa muscular e melhorar seu desempenho atlético. O uso da creatina é considerado seguro e eficaz, respaldado por décadas de pesquisa.
Por outro lado, a creatinina é um produto resultante da degradação da creatina. Diariamente, uma fração da creatina armazenada nos músculos se transforma em creatinina, que é liberada na corrente sanguínea e eliminada pelos rins. A dosagem de creatinina no sangue tem sido utilizada há anos como um indicador da função renal. Quando os rins estão saudáveis, os níveis de creatinina permanecem normais; já em casos de problemas renais, esses níveis tendem a aumentar.
A suplementação de creatina pode elevar os níveis de creatinina, mas essa alteração é geralmente pequena, variando entre 0,2 a 0,3 mg/dL. Dr. Virgilio esclarece que, para determinar se a elevação da creatinina é um sinal de alerta ou uma alteração benigna, é fundamental realizar exames adicionais. Esses exames permitem que os médicos diferenciem entre um aumento benigno da creatinina, decorrente do uso de suplementos ou da massa muscular, e uma elevação que indica problemas reais nos rins.
É crucial que a utilização de qualquer suplemento, incluindo a creatina, seja feita sob supervisão médica. A automedicação e o uso indiscriminado de suplementos, mesmo aqueles considerados seguros, podem apresentar riscos, especialmente em pacientes que possuem condições de saúde preexistentes que podem não ser evidentes. Se a elevação da creatinina ultrapassar a faixa mencionada, uma investigação médica mais minuciosa se torna necessária para identificar outras possíveis causas, sejam elas relacionadas à função renal ou a outras condições que requeiram cuidado especializado.
A atenção aos exames de rotina e a busca de orientação profissional são fundamentais para garantir a saúde renal e o bem-estar dos pacientes que utilizam suplementos como a creatina.



