A estrutura de gastos do governo brasileiro é rigidamente definida, com 95% do Orçamento Federal alocados para despesas obrigatórias, como as previstas na Constituição. Isso significa que, de cada R$ 100 arrecadados, apenas R$ 5 ficam disponíveis para investimentos públicos. As aposentadorias e pensões da Previdência Social, além dos juros da dívida pública, consomem a maior parte dessa arrecadação, deixando pouco espaço para áreas essenciais como saúde e educação.
Em 2025, o governo federal ultrapassou R$ 1 trilhão em gastos com a Previdência Social, e a projeção para 2026 é de R$ 1,15 trilhão, consolidando essa despesa como a maior da União. Atualmente, a Previdência representa cerca de 20% do Orçamento total, mas, quando observadas apenas as despesas primárias, esse percentual sobe para quase 50%. O crescimento desse gasto é impulsionado pela valorização do salário mínimo, que impacta diretamente a folha de pagamentos.
A demografia brasileira também contribui para o aumento dos gastos previdenciários, com a população envelhecendo e a taxa de natalidade em queda. Isso resulta em mais beneficiários do INSS e menos trabalhadores ativos para contribuir. A arrecadação das contribuições sociais não cobre os pagamentos, gerando um déficit que ultrapassa R$ 317 bilhões.
Esse cenário gera a chamada “compressão orçamentária”, onde o governo, para assegurar o pagamento das aposentadorias, tem menos recursos para investir em infraestrutura, segurança e tecnologia, comprometendo o crescimento a longo prazo do país.

