O cineasta gaúcho Davi Pretto apresenta sua nova obra, 'Futuro Futuro', uma ficção científica que reflete sobre a ansiedade climática e a realidade das enchentes no Rio Grande do Sul. O filme, que estreou nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 23 de novembro de 2023, foi produzido com um orçamento reduzido e já recebeu o Troféu Candango de Melhor Longa-Metragem no Festival de Brasília.
A narrativa gira em torno de um personagem sem memória, conhecido apenas como K, que é acolhido por um homem solitário em uma área empobrecida de uma cidade brasileira severamente afetada por chuvas intensas. K, intrigado com o mundo da elite que observa à distância, passa a sonhar com um casal que vive em meio ao luxo. Nesse contexto, a inteligência artificial se torna uma ferramenta crucial para o desenvolvimento da trama, apesar de Pretto inicialmente não desejar incluir esse elemento em sua obra.
A necessidade de utilizar a tecnologia surgiu após uma enchente em maio de 2024, que destruiu locações e interrompeu as filmagens por três meses, obrigando o diretor a adaptar seu projeto original, que previa a filmagem dos luxuosos condomínios de Porto Alegre. Pretto enfatiza que sua abordagem buscou criar uma investigação crítica, utilizando recursos gratuitos ao máximo e refletindo sobre a estética e a ideologia por trás das imagens.
O diretor ressalta que a tecnologia não é neutra e carrega consigo uma ideologia que precisa ser debatida. Ele critica a "tirania das certezas" que domina o discurso atual, destacando a importância de gerar dúvidas e questionamentos. Pretto espera que seu filme provoque discussões e reflexões, incentivando os espectadores a saírem das sessões com questionamentos e não necessariamente com respostas claras.
Reações de público têm sido variadas, com espectadores deixando as sessões sem palavras, desconcertados e incertos sobre suas impressões. Para Pretto, o principal objetivo não é agradar, mas sim criar um espaço para o diálogo. Ele enfatiza que, se o filme conseguir levar alguém a refletir a ponto de optar por sair para conversar em vez de assistir a uma série na Netflix, isso já será um grande resultado. O desejo do cineasta é que 'Futuro Futuro' se torne um catalisador para a ambiguidade e o debate, rompendo a monotonia das certezas do cotidiano.



