O cineasta Carlos Saldanha decidiu levar às telas a história da travessia de 100 dias do velejador Amyr Klink, que em 1984 se tornou o primeiro a cruzar o Atlântico Sul a remo. O filme estreia nos cinemas nesta quinta-feira (29/10) e aposta em um espetáculo visual construído a partir das paisagens da jornada solitária.
Baseado na autobiografia de Amyr, o longa é estrelado por Filipe Bragança e produzido pelo Ventre Studio. Em entrevista, integrantes do elenco contaram como foi participar do projeto. Apesar de contar a história de sua própria vida, Amyr deixou a adaptação nas mãos de Saldanha, que dedicou oito anos ao filme. "Logo que eu decidi fazer o filme, eu saí para jantar com o Amyr. Ele foi muito generoso com a gente, porque ele falou: 'Olha, você está contando a história do meu livro. Eu já fiz a minha travessia. Esse livro foi um marco na minha vida. Agora é seu. Agora você faz o que você acha'. Ele deu total confiança na execução", contou o diretor.
Segundo Saldanha, a liberdade concedida por Amyr também trouxe uma grande responsabilidade: criar uma obra de ficção baseada em fatos reais, mas que preservasse ao máximo a sensação de realidade da travessia. "Eu acho que eu devia isso a ele. Não para mim, para ele", afirmou. Para o diretor, é preciso valorizar os feitos nacionais. "Acho que a gente precisa lembrar os nossos heróis, os nossos feitos. Existem vários heróis brasileiros, mas esse tipo de aventura, de travessia, é algo único. Pessoas do mundo inteiro tentam fazer essas travessias: algumas conseguem, outras não. E esse foi um brasileiro que conseguiu realizar o feito", destacou.
Filipe Bragança, que interpreta Amyr Klink, espera que a produção apresente a história a uma nova geração. "Eu tenho 25 anos e muitos amigos, na verdade, a maioria das pessoas que conheço da minha idade, sequer fazia ideia de que um brasileiro realizou esse feito. Acho que o filme renova essa história, traz ao cinema uma nova perspectiva e a apresenta a uma nova geração que não a conhecia", afirmou. O ator também torce para que o longa desperte o interesse pelo livro que inspirou a produção.
Felipe Camargo, que interpreta Jamil Klink, pai de Amyr, ressaltou que a travessia representava um desafio que outras pessoas já tinham tentado enfrentar, mas sem sucesso. "É legal que seja um brasileiro também. A gente tem tão poucos ídolos. Acho, às vezes, que o povo brasileiro não reverencia muito os próprios heróis", afirmou.



